AC/DC em São Paulo e A Noiva! nos cinemas
A grande estreia dos cinemas dessa semana, o grande show de 2026 e mais: carrinhos, um tipo de Vampire Survivors 3D e drag queens zumbis!
Quinta-feira é dia de estreias! Quinta-feira, portanto, também é dia de críticas, resenhas, reviews, seja lá como você quiser chamar, aqui no JUDÃO. É nesse dia que publicamos sobre tudo o que a gente viu, leu, ouviu e jogou pra você aproveitar o final de semana! :)
Nesta edição!
A Noiva!: o filme que Coringa 2 não teve coragem de ser
AC/DC (e The Pretty Reckless) em São Paulo
E MAIS: A oitava temporada de Drive to Survive, Megabonk e Queens of the Dead, filme dirigido pela filha do George Romero sobre drag queens zumbis
A Noiva! é realmente do c@#@lho
por André Mello
Muitas vezes nós, que não usamos estrelinhas por uma série de razões, classificamos filmes como “bom”, “meia-boca” ou “ruim”. Nos últimos tempos, porém, venho percebendo que clasifico o que assisto como “algo foi tentado aqui” e “isso aqui foi feito pra cumprir tabela”.
Boa parte do que sai de Hollywood nos últimos anos são do segundo tipo, com alguns poucos conseguindo entregar algo minimamente decente. Às vezes, porém, surge um filme que, independente, do resultado, me chama à atenção e me prende por simplesmente tentar.
A Noiva!, novo filme dirigido e escrito por Maggie Gyllenhaal, é desse tipo. A produção não tenta, em momento algum, seguir um caminho comum e beira o esquisito. Algo ali não parece estar no lugar, mas aos poucos você entende que tem um plano maior.
A Noiva! é uma reimaginação da história de Frankenstein e seu monstro, aqui interpretado por um inspirado Christian Bale. Se passando nos anos 30, em Chicago, o filme mostra Frank (simplesmente Frank) em busca uma cientista para tentar criar uma companheira para ele.
Essa companheira é interpretada pela indicada ao Oscar Jessie Buckley, que carrega com tranquilidade o papel e o filme como a tal Noiva. A apresentação da personagem, que se chama Ida, e a maneira como ela acaba vítima de dois mafiosos, é violenta, caótica e, ao mesmo tempo, estilosa.
Nesses minutos iniciais, percebe-se que esse não vai ser um filme como qualquer outro ou que vai simplesmente ser uma refilmagem de A Noiva de Frankenstein. Isso porque A Noiva! joga muita coisa num liquidificador e o que sai é, ironicamente, uma história cheia de vida sobre duas pessoas que tiveram que morrer pra se encontrar e começar a viver.
Parece bonito, mas é extremamente trágico e triste. Quando vemos Frank, um Christian Bale cheio de cicatrizes com um corpo todo esculhambado (não de verdade dessa vez), temos apenas um monstro pedindo uma companheira para satisfazer seus desejos. Aos poucos, vemos que na verdade ele, que aparentemente pode ser imortal, se sente sozinho em um mundo que não o quer. Em vários momentos, pequenos vislumbres sobre sua história surgem, como quando foi perseguido ou o que o fez acreditar que existe algo bom na humanidade.
O mesmo acontece com Ida, a Noiva. Quando ela é trazida de volta à vida que vários traumas chegam junto à superfície, com uma liberdade sem igual de se ter uma nova identidade e uma nova personalidade.
Essa união é tensa, caótica e bastante violenta, fazendo com que Frank e sua Noiva se tornem conhecidos em todo o país, com a mídia propagando suas fotos com aquele visual único, que se torna um símbolo para mulheres que buscam essa mesma liberdade e tentam viver suas próprias vidas.
Seus crimes claramente chamam a atenção das autoridades, representadas por um detetive corrupto e sua “secretária”, que é muito mais detetive que ele. A dupla Peter Sarsgaard e Penélope Cruz aparece pouco e, em alguns momentos, me deu uma sensação de que mereciam um filme próprio para desenvolver mais seus personagens.
E isso é algo que me pegou um pouco em A Noiva!. É tanta coisa acontecendo, coisas sendo TENTADAS, que nem tudo consegue se desenvolver o necessário. Você meio que entende muita coisa, mas outras ficam muito no ar e você tem que apenas aceitar e seguir em frente. Isso não chega a ser um problema, mas é o tipo de coisa que você sente que faltou um tantinho pra ficar realmente excelente. Sabe aquela história de “só quem se arrisca pode viver o extraordinário”? Então, A Noiva! tenta e quase chega lá várias vezes.
Ao fim de pouco mais de duas horas, fiquei com a impressão de que vi CINEMA. Nem sempre foi excelente, algumas vezes parece corrido, mas eu não posso ir contra alguém ter tentado de verdade aqui.
Pra tentar resumir bem resumido pra quem tá acostumado com cultura pop: imagine o filme que Coringa 2 achava que seria, mas não teve coragem. Esse filme é A Noiva!.
AC/DC (e The Pretty Reckless) na PWR UP Tour em São Paulo
por Leonardo Alcalde
ATENÇÃO! Esta resenha não possui conhecimento musical algum, pode ler com tranquilidade.
Me considero um rapaz afortunado por ter conseguido ver pelo menos uma vez ao vivo basicamente todas as bandas que eu realmente gosto, incluindo algumas já não mais passíveis de se ver nesse plano de existência como Motörhead, no Rock in Rio 2011, e Black Sabbath com Ozzy no Campo de Marte em 2013. Por essa razão eu trazia no bojo de minh’alma desde 2009 uma mágoa por não ter conseguido entradas para o show do AC/DC da turnê do álbum Black Ice, no Morumbi.
Os integrantes da banda não estavam ficando mais jovens (mesmo os Youngs). Malcolm morreu, Brian Johnson se afastou dos palcos por risco de perda severa de audição e comecei a achar que esse Rock n’ Roll Train já havia partido (kkkkk). Mas, um Axl Rose depois, ele voltou à ativa e uma pequena chama de esperança surgiu em meu doce semblante, que virou um meteoro da paixão quando finalmente anunciaram uma passagem pelo Brasil com turnê Power Up, ou PWR UP, aguardada desde os tempos de pandemia.
Data única, tensão, fila virtual que não andava. It’s 2009 all over again! Uma segunda data, a nova fila virtual vai que vai, ESCATAPLAFT! Consegui comprar. Eu, menino Borbs e sua respectiva (OIPI). No anúncio da terceira data eu já tinha meu ingresso garantido, finalmente ia poder riscar da lista uma das últimas das bandas favoritas da vida que ainda não tinha visto ao vivo e vai Corinthia! Ou melhor, vai SPFC, porque o show novamente seria naquele lugar esquecido pelos deuses, o Estádio do agora MorumBis. Veja bem, (quase) nada contra o estádio, tenho até alguns amigos que são. Um imponente ícone da escola brasileira de arquitetura brutalista, erigido sob o desenho do saudoso Vilanova Artigas, que certamente não escolheu aqueles assentos com aquela ergonomia horrorosa no projeto original… mas puta que pariu essa localização. Valeria demais o esforço, porém, pra poder assistir a um idoso de boné e gravatinha pular com sua guitarra — já fui para aquele lugar para ver coisa pior (Bon Jovi & Nickelback).
Chegamos de Uber (fica a dica, dependendo da quantidade de pessoas que vão com você) e descemos uma não tão longa ladeira até a entrada do estádio, não sem antes ver os pobi dos ambulantes reunindo suas mercadorias mais rápido que um pit stop da F1 para fugir do rapa. Confesso que uma das expectativas quebradas foi não ver apenas filas preferenciais no portão, dada a quantidade de idosos que estariam tentando manter a velha chama do rock acesa, como talvez eu tenha visto mais jovens do que veiarada na plateia, muitos mais do que os que foram acompanhando os pais.
Não chegamos muito cedo, encontramos lugares legais no anel superior e nos acomodamos lá, falando abobrinhas e comendo uns quitutes, entre os quais estavam BOLINHAS DE QUEIJO. Boleijos e AC/DC não dá pra ficar muito melhor que isso.
Me surpreendi também com os preços dos souvenires, mas não de maneira positiva. Nesse caso as expectativas já eram baixas, mas putamerda. Um copo de plástico do evento custava 30 pratas, e mais 30 se você quisesse o cordão para pendurar no pescoço. As camisetas, 220 reais. O par de chifrinhos oficiais CEM REAIS — pagamos 6 nos nossos lá na 25.


A tarde vai caindo e nuvens escuras vão ficando mais evidentes. A previsão do tempo dizia sobre chances de chuvisco lá pelas 21hs. Pontualmente às 19h30 as luzes do palco se acendem e The Pretty Reckless inicia o show de abertura com Death by Rock and Roll, a primeira das 10 músicas da setlist. Não conhecia a banda até começar a pesquisar sobre o show uma semaninha antes pra ir esquentando as oreia com as playlists, e foi uma grata surpresa. Não vou nem tentar analisar musicalmente a performance porque eu não tenho a menor competência pra isso — só deixo a música me levar, e o que traz ALENTO AO CROASSÃO eu considero boa. Tenho momentos de AC/DC, de Aerosmith, Mamonas Assassinas, Miles Davis, Shakira, Kendrick Lamar e trilhas sonoras de desenhos animados. E, naquele estádio localizado nos confins do universo, eu estava tendo um ótimo momento de The Pretty Reckless.
A moça por diversos momentos tentou se comunicar com a plateia em português, pegou até umas anotações em papel para ler, uma graça. Vi no TikTok algumas postagens tipo "como explicar que eu quero que a loirinha de camisola vermelha termine logo o show para eu ver um idoso de gravatinha?" e eu definitivamente não me sentia assim. Queria muito ver o Angus macaqueando pelo palco, mas Witches Burn, Take me Down e afins estavam cumprindo muito bem seu papel. PRINCIPALMENTE quando descobri que a vocalista Taylor Momsen era aquela guriazinha de O Grinch.
Termina o show e começa a espera para o evento principal. As nuvens iam ficando mais densas e eu só torcendo para que aquele fosse um efeito especial revolucionário para introduzir Thunderstruck. Mas sem os raios, deixa isso pro Nikolas e cia. A previsão do tempo só citava chuviscos, existe algo mais preciso no mundo do que meteorologia? Oras.
E mais uma vez pontualmente (chupa, Axl Rose), agora às 21h00, as luzes se apagam, os telões ilustram o som de motores V8 que ecoavam pelo estádio. Sobem os acordes de If You Want Blood (You’ve Got It), entra Brian Johnson, Angus Young já vai saltitando pelo corredor ligado ao palco e dezenas de milhares de pessoas vão à loucura. Back in Black, a segunda das 21 músicas da setlist, começa e a PETECA permanece lá em cima. Um mar de chifrinhos vermelhos piscantes cobria as arquibancadas e o gramado, e meu momento AC/DC já estava a todo vapor. Ainda queria ter ido ao show de 2009 quando eles estavam menos distantes do auge, mas o show seria todo em torno do álbum Black Ice. Nesse aqui era pedrada atrás de pedrada de toda a trajetória desde a era Bon Scott — e outra expectativa negativa foi quebrada vendo a performance e o fôlego da dulpa Johnson-Young. A potência do vocalista evidentemente não era mais a mesma, mas dadas as ciscuntâncias eu estava com o coração 100% aberto a ver algo bem mais limitado (chupa de novo, Axl Rose!). E se ele levou o show todo na boa, mesmo com a chuva muito maior do que o chuvisco prometido, Angus me deixou simplesmente boquiaberto. O velho maluco não para um segundo, aquelas perninhas finas batendo a todo instante, correndo e pulando por todos os espaços do palco, fazendo um solo eterno de quase dez minutos. Um monstro, uma lenda viva e eu sabia exatamente o privilégio que era poder ver aquele cara ao vivo. Além de Ozzy e Lemmy, eu não consigo imaginar muitos caras nesse patamar além de Angus Young.
Eu não vou conseguir fazer jus ao DELEITE que o show me causou nem se ficar escrevendo baboseira aqui por mais dez parágrafos, então não vou me alongar muito mais. Presenciar Thunderstruck (que achei sim um tanto mais lenta que a versão original), Have a Drink on Me — que é uma das minhas favoritas da banda —, Hells Bells, Whole Lotta Rosie, Let There be Rock, ver o estádio vir abaixo com Highway to Hell e ver a clássica despedida do BIS com For Those About to Rock (We Salute You) já descendo as escadas para sair foi uma experiência única, daquelas que você não tem muitas vezes na vida.
Daqueles shows que te fazem sair tão feliz que você até aguenta sem reclamar muito da longa e lenta procissão entre carrinhos de cerveja, táxis impacientes e churrasquinhos de gato até a estação mais próxima da Linha Amarela. Um bar nesse percurso tocava Bonde do Tigrão a todo volume, e três jovens com toda a indumentária roqueira, do coturno aos braceletes de espinhos, rebolavam suas bundas loucamente. Transcedental!
E sobre a música de desfecho, Borbs me atentou para um detalhe importante: por quê eles sempre terminam os shows com For Those ABOUT TO Rock? Nós acabamos de passar duas horas rochando, isso não faz sentido nenhum.
Enfim, a hipocrisia. Viva AC/DC!
O que mais vimos e jogamos por aí
🏎️ A temporada de número OITÔ de Formula 1: Drive to Survive continua fazendo aquilo que mais me impressiona, no melhor sentido possível: criar uma história que faça sentido para quem não conhece o esporte, mas que ao mesmo tempo funcione para quem acompanhou o ano inteirinho ao vivo. Tudo porque os produtores escolhem as narrativas que querem contar, que são delineadas para, enquanto explicam como as coisas funcionam, trazer detalhes, informações, curiosidades e bastidores que não temos acesso na transmissão normal. É por isso que podemos ver o quanto cafona, ultrapassado e extremamente problemático é Flavio Briatore, da Alpine. Ou ainda entender melhor como Christian Horner caiu na Red Bull. No longo prazo e à distância, no entanto, está tudo começando a soar mais do mesmo. Mas esse é o problema dos documentários esportivos anuais, não é mesmo? Tirando quem perdeu e quem ganhou, ninguém perdeu ou ganhou. Todo mundo perdeu. É sempre igual. @ren4n
🛡️ Indie que é basicamente um Vampire Survivors 3D, Megabonk é um dos jogos mais viciantes que eu joguei nos últimos anos. Ele é extremamente simples (ataques são automáticos, você escolhe um boneco e sai atacando monstros), mas não demora muito pra você começar a estudar builds, macetes pra se movimentar, como liberar novas armas, personagens e poderes. Por enquanto, ele tá disponível apenas pra PC, mas faça um favor e jogue Megabonk. É excelente! @odametal
🧟♀️ Virou moda misturar tudo e qualquer coisa com zumbis. Porém, a combinação ganha o meu respeito quando descubro que ela é assinada por Tina Romero, filha de ninguém menos que George A. Romero, o cineasta que criou os mortos-vivos modernos. A cineasta (e DJ!) vem justamente do cenário queer, e a sua reinterpretação do trabalho do pai consegue ter algo que realmente se destaca e, o mais curioso, que eleva o nosso ânimo (!). O enredo é sobre um grupo de drag queens e de outras pessoas que representam o universo LGBTQIAPN+ e, óbvio, tem diversas camadas de crítica social. A mais relevante é mesmo sobre como os celulares nos transformam em zumbis pós-contemporâneos. Mais do que isso: é uma análise não apenas das pessoas vivendo vidas de aparência, mas também que escondem quem são e como se sentem. Os apps – daquele de vídeos ao de pegação – são uma representação disso. E olha que, em inglês, a expressão “comer alguém” só tem sentido em filme de zumbi… Queens of the Dead estreia nos cinemas nesta Quinta, 5. @ren4n










