Brilho Eterno de uma Cidade de Estrelas
Tem filmes que fazem a gente pensar sobre o porquê das dores, se elas são previsíveis e recorrentes no caminho


Via de regra trazemos críticas e resenhas sobre os lançamentos, para dar um norte para quem quiser ver algo no cinema (ou num streaming), ou para ajudar na decisão de quem tá pensando em adquirir uma HQ, um joguinho e trivialidades do tipo. Ou só porque queremos, mesmo.
Uma resenha, mais especificamente, também serve para que a gente leia sobre algo que até já conhecemos, só para saber a opinião de alguém e ter acesso a um outro ponto de vista sobre o assunto. Afinal de contas, a cultura pop não se resume só aos lançamentos e tem toneladas de coisas velhas aí pra gente (re)descobrir. =D
De maneira 100% ALEATÓRIA, o Leonardo Alcalde resolveu escrever sobre um dos filmes ao mesmo tempo mais apreciados e mais temidos por quem tá passando por aquela bad gostosa: Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças. Por quê as lembranças de algo legal ferem tanto? Qual o ponto em apagar parte do que te fez ser o que é hoje? Comprarias outra bicicleta? Amputarias um membro? Ralarias a bunda no gelo por alguém de novo?
Enquanto isso, aproveitando as comemorações dos 10 anos da estreia de La La Land (o filme estreou em Setembro nos EUA, mas volta aos cinemas nessa quinta, 20), o Thiago Borbolla resgatou um texto láááá do antigo JUDAO.com.br, bem pessoal, sobre o filme. Ou sobre os filmes, já que também é sobre Brilho Eterno. Mas é infinitamente mais sobre um cara completamente perdido em meio a sonhos.
Tá tudo aí embaixo! Good vibes only.
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A vida é bonita, mas às vezes dói.
por Leonardo Alcalde
Não sei explicar exatamente o porquê de nunca ter assistido a Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças antes. O mais provável é a filosofia meio bunda-mole que trago no bojo de minh’alma para escolher o que vou assistir, jogar, ler, ouvir: se eu vou gastar um tempinho da minha vida para ler/assistir/jogar/ouvir alguma coisa, é melhor que esta joça me divirta. Pra quê vou ficar esfregando meu chifre no asfalto de raiva pra jogar um Soulslike? Assistir a DRAMAS? De triste e difícil já basta a realidade, vai tomar no cu.
Só que a coisa mais irritante da realidade é que ela apenas acontece, como num encontro aparentemente aleatório em Montauk.
O filme
Quão feliz é o destino da inocente vestal! O mundo esquecendo, pelo mundo esquecida Brilho eterno de uma mente sem lembranças Cada oração atendida, e cada desejo renunciado.
O poema de Alexander Pope que dá título ao filme e teve o famoso trecho citado é Eloisa to Abelard, e pode ser lido (em inglês) aqui. A obra discorre sobre as consequências de um romance trágico de um casal de Paris do séc. XII: Peter Abelard (um renomado filósofo e teólogo) e sua jovem aluna Heloísa de Argenteuil, que se casaram secretamente e tiveram um filho. Heloísa foi confiada a Abelard pelo seu tio, o cônego Fulbert. Quando a informação do casamento vazou para a família da moça, Abelard enviou Heloísa para um convento para protegê-la, e Fulbert mandou REMOVER MECANICAMENTE o pênis de Abelard. Depois dessa reação bastante ponderada, Abelard se tornou monge e, Heloísa, uma freira. “Vestal” é uma espécie de sacerdotisa devota da deusa romana Vesta.
Que paralelos podemos traçar entre Joel & Clementine com o poema que inspirou Charlie Kaufman a escrever o roteiro? SEI LÁ, VIADO. No contexto geral se assemelha mais à relação extraconjugal que Dr. Howard (Tom Wilkinson) teve com sua secretária Mary Svevo (Kirsten Dunst). Esse trecho isolado, porém, traz essa reflexão sobre a felicidade do esquecimento, a bênção da ignorância e o apelo meio desesperado pela negação do que se quer ardentemente, e é daí que partimos.
Numa narrativa não-linear vemos duas histórias seguindo em direções opostas ao longo da trama, como duas pessoas que caminham uma para longe da outra até se encontrarem novamente em outro lugar. Numa delas vemos Joel (Jim Carrey), um sujeito tímido demais para seu próprio bem, encontrando uma adorável doidinha expansiva de cabelos coloridos (Kate Winslet) que vive intensamente no meio da PIOR FESTA DE PRAIA que a humanidade já viu. Embora seja um casal um tanto improvável, eles descobrem que se complementam de um jeito meio maluco e vivem uma história muito legal, com muitos altos, depois altos e baixos, até que só vai para baixo e termina.
Joel vive sua bad intensamente, ou pelo menos é isso o que ele pensava até encontrar Clementine novamente e ela olhar através dele como se nunca o tivesse conhecido. A bitoquinha que ela desfere num jovem aleatório é a cereja no bolo fecal que só o faz sumir dali. Ele vive sua bad on steroids tentando decifrar o que diabos tinha acabado de acontecer, para então descobrir que o fundo do poço tem vários alçapões quando é informado que Clem LITERALMENTE o apagou da sua memória numa empresa que fornece esse serviço.
Joel recorre então à mesma empresa, faz os preparativos, se ajeita e se submete ao procedimento para imediatamente depois acordar com uma pulga atrás do coração, um destino aleatório na cabeça e a disposição subconsciente de começar tudinho de novo.
A narrativa paralela acontece dentro da cabeça de Joel durante o procedimento, onde viajamos através do caleidoscópio maconhoso de sua psiquê numa fuga desesperada em que Joel tenta conduzir a versão de Clementine que mora em sua mente para fora do alcance da obliteração dessas coisas que balizam a toda a problemática do filme: as memórias.
Tá tudo na sua cabeça, e é aí que tá o problema
Na sala de espera da Lacuna vemos Joel compartilhar a fila com uma senhora que trouxe os pertences de seu falecido cachorrinho Buster para apagá-lo da cabeça. Luto é sobre o sofrimento que as memórias trazem diante de uma ausência, afinal. Términos são difíceis, e não por acaso são observados não só pelo filme, mas pela psicologia sob a mesma estrutura de emoções que temos quando lidamos com a morte. Também se trata de uma perda, e em alguns aspectos as cascas de banana mentais que nossa cabeça bota no nosso processo de luto por um relacionamento que se vai são ainda mais traiçoeiras. A morte é irremediável. Morreu, acabou, não tem volta (a não ser que você seja Jesus ou algum personagem de quadrinhos). Buster não vai voltar. A morte não faz prisioneiros e não permite negociação. Ela tem uma dureza fria e assusta por ser um objeto absolutamente irremovível, que nos dá a certeza sobre o nada definitivo que vem depois de sua visitinha amarga. A ausência apavora, o silêncio tortura.
Várias dessas características se aplicam aos términos, mas com algumas ambiguidades cruéis aqui e li. É uma ausência seletiva, porque o objeto da perda está ali, só não mais para você. É como se o universo botasse o dedo em sua cara e dissesse “especificamente você se fodeu”. Imagina a desgraça que não é ver a ex beijando o Elijah Wood numa livraria? Tipo, ele parece uma corujinha. O silêncio é parcial, e por mais contraintuitivo que possa ser, o som que você mais deseja ouvir é justamente aquele que mais te machuca. Você não espera que um dia a morte afrouxe as barreiras e você possa estar novamente com quem perdeu (pelo menos não sem ir de arrasta junto). No caso de um relacionamento que acaba, quanto mais aberta a ferida, mais difícil é a fase de negociação, porque naquele momento você quer acreditar que seja um afastamento que pode ser desfeito. Será que Montauk pode acontecer de novo, mas diferente? O vazio voluntário é cruel de uma outra maneira em comparação ao definitivo, porque ele te dá esperanças. Como diria Millôr, “O desespero eu aguento. O que me apavora é essa esperança“ - exista ela ou não.
O relacionamento se torna parte de quem somos, toma conta de nossa rotina e do nosso jeito de ver o mundo, muitas vezes altera nosso próprio senso de identidade, a percepção do nosso papel dentro da nossa vida. Você não pensa mais apenas no “eu”, você também pensa nessa entidade abstrata do “nós”. O vazio que uma perda desse tipo deixa não é apenas a saudade do outro, mas de uma parte de nós mesmos, porque o “nós” transformou o seu “eu” em alguma coisa diferente que você gostava muito. Aquilo que você foi por um tempo, acompanhado, precisa deixar de existir para que o seu novo eu, sozinho, siga em frente. Nos apegamos tão forte ao que acabou porque as memórias estão sempre ali, as boas e as ruins, cada uma batendo de um lado diferente do fígado, nos confundindo. Mas... Se o problema todo tem origem nas memórias, pro diabo com as memórias. Certo, Clem?
Se tá doendo o pé, corta o pé.
Quem dera fosse fácil assim. Não me entendam mal, viver sem um pé deve ser bem difícil e eu não quero ofender nenhum PCD aqui, mas do ponto de vista puramente lógico é um problema mais simples de ser solucionado. Você tem uma ferida que infecciona e ameaça avançar para o restante do seu corpo? Me traga a serra, Seu Doutor! No entanto, fora da ficção ainda não foi descoberta uma maneira de pinçar especificamente aquilo que machuca seu SOFTWARE em vez do seu hardware e tirar de dentro das suas sinapses o que te faz mal a cada momento do seu dia, a cada maldita vez que seu cérebro deixa seu pensamento consciente ir para aquelas bandas. Uma infecção mental eu diria, e o único remédio conhecido é o tempo.
Mas não é legal sofrer sobretudo sabendo que esse sofrimento vai levar tempo para ir embora, e caso houvesse essa escolha, a reflexão primária que o filme traz (e eu também te pergunto) é: você apagaria? A reflexão secundária é: adianta?
Você pode apagar as fotos, o histórico de mensagens, bloquear, tocar fogo nos objetos como ferramenta facilitadora de frear a tentação de ter acesso rápido às recordações. Ferramenta totalmente legítima e inclusive saudável, embora cada pessoa tenha um processo diferente – como vimos com Joel e Clementine. Mas qual é o ponto em deletar um pedaço da sua própria personalidade quando ela é exatamente o resultado do processo que será apagado? Não chega nem a ser um paradoxo, é uma relação direta mesmo: O seu novo eu só existe porque ele é fruto daquele nós. Você escolhe se esquecer de como andar de bicicleta porque ficou pistola com uma queda humilhante, mas isso vai te levar a comprar outra bicicleta. E se um dia você for novamente à praia mais deprimente do mundo, em Montauk? Todo o aprendizado da jornada vai servir de porríssima nenhuma caso você enfrente de novo os mesmos problemas. E eles vão acontecer, e você vai errar de novo, vai cair de novo, vai doer igualzinho e você vai voltar toda semana para a fila da Lacuna Inc.
Aí é que estão as dores e as delícias, na jornada.
A beleza ácida na jornada
Abujamra olha para você sobre os óculos, sob a uma meia-luz de um estúdio e pergunta: “o que é a vida?”. Eu responderia que a vida é um mar de sifudências com umas ilhas de felicidade espalhadas. Goste você ou não, uma parte enorme das experiências que você vai viver nessa bola de lama será ruim ou dolorosa, porque o mundo não é a sua avó pra te trazer bolinho todo dia. Você VAI SE FODER. Mas também vai sorrir, e às vezes as duas coisas vão acontecer num intervalo muito curto.
Só dói porque faz falta, e se faz falta é porque no final do dia valeu a pena. E é por esse motivo que Joel no meio do caminho dá um faniquito e resolve guardar só uma, uma única memoriazinha em meio ao apagamento. A “melhor noite da vida”, que aconteceu literalmente enquanto raspava o cu num lago congelado, porque estava gelando a bunda junto com alguém que tornou essa memória especial. Mas nesse contexto não existe isso de guardar só um pedaço da história, porque esse fragmento vai abrir a porteira para toda uma cadeia de acontecimentos, que eles revisitam durante sua fuga. Nem todos são bonitos, nem todos são legais, mas todos eles os levaram até o ponto de ruptura doloroso que eles precisaram. Fuga mal sucedida e procedimento completo, e só por uma diquinha safada Joel pôde voltar até o reinício com o cérebro lisinho.
Péssima ideia.
Sem Mary Svevo dar um empurrãozinho com as fitas K7 para Joel & Clementine II terem acesso a tudo o que os afastou, eles estariam fadados a um fracasso II. Ter acesso às partes ruins da jornada os enfureceu um com o outro novamente e bugou-lhes a cabeça por um instante, porque só ali eles podiam dizer que se conheciam de verdade.
-- (...) Eu não sou perfeita. -- Não consigo ver nada que eu não goste em você. -- Mas vai ver. E eu vou ficar entediada e me sentir presa porque é isso que acontece comigo. -- Ok. -- Ok? Ok. -- Ok.
Ambos riem, a gente enfia o dedo no cu e fica pensando sobre esse final meio aberto: Eles vão tentar de novo, agora com as cartas na mesa, amadurecidos? Ou ok no sentido “Beleza, é assim que as coisas são e finalmente tá tudo bem”? Acho que cabem diferentes interpretações para cada indivíduo, e mesmo dentro do indivíduo isso vai oscilar com o tempo, e este texto definitivamente não tem pretensão de dar uma resposta, como o filme também não deu.
O que podemos fazer é atravessar esse lago congelado tentando bater menos a bunda no chão enquanto reaprendemos a andar, cambaleando um pouco menos a cada passo. Enquanto estivermos por aqui sempre haverá outras noites estreladas, outros cenários além do gelo para compartilhar com alguém, outros cenários para compartilhar com ninguém. Desbravar o grande mar de sifudência da vida no final das contas é uma jornada só sua, e só cabe a você admirar a beleza agridoce que a finitude das coisas traz, escolher quais ilhas de felicidade visitar e quanto tempo permanecer por lá.
Na pior das hipóteses, nós sempre teremos Montauk.
A dor e o peso de La La Land
por Thiago Borbolla
Texto publicado originalmente em 02 de Fevereiro de 2017
Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças estreou num momento da minha vida em que eu estava completamente perdido. Havia terminado o meu maior relacionamento até então alguns meses antes e, errando aqui e ali, eu tentava entender o que fazer depois. Como seguir sabendo que eu não era necessário na vida daquela garota? Ela queria seguir a própria vida, queria fazer o que nunca tinha tido a chance de fazer. E eu, ficava como?
Não lembro exatamente se tava calor, se tava chovendo, se tava nublado no dia em que assisti ao filme, na exibição para a imprensa, numa manhã do início de Março de 2004. Todo aquele frio de Nova York me fazia sentir que estava congelando, mas podia ser o ar condicionado. O que eu lembro é que eu me senti bem depois de assistir. Me senti leve. Me senti pronto.
São muitos os pontos de vista pra assistir a Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças e, como todo bom filme, um deles é aquele única e exclusivamente seu. Naquele dia, o meu era sobre como muitas vezes a gente se machuca por conta de relacionamentos tentanto encontrar motivações e motivos pra que as coisas tenham acontecido ou não, lutando pra esquecer e esquecer, ao invés de lembrar do que de melhor aconteceu.
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A gente fica triste, a gente fica com raiva... Mas caralho, será que tudo o que fez a gente ficar junto, pelo tempo que for, deve ser destruído só porque a outra pessoa queria algo diferente? Ou porque, no fim das contas, surgiram coisas que afastaram os dois?
Eu era o Tom de 500 Dias com Ela. Ela era a Summer. Ela não era uma vadia, uma filhadaputa. Eu é que era imaturo. Ela também era Clementine, eu Joel Barish. Eu me apaixonava por quem me desse atenção... Ela era uma garota vivendo a vida dela. “Too many guys think I’m a concept, or I complete them, or I’m gonna make them alive. But I’m just a fucked-up girl who’s lookin’ for my own peace of mind; don’t assign me yours”. I did.
Foi Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, um filme que tanta gente considera pesado, triste, as vezes até por também sentir vontade de esquecer tudo, que me fez me sentir bem comigo mesmo pela primeira vez em alguns meses. Foi esse filme que levantou minha cabeça, deu um tapa na minha bunda e me mandou seguir em frente. :)
La La Land foi o contrário. Surge num momento da minha vida em que as coisas parecem completamente fora do lugar, estranhas, em que os sonhos começam ficar mais parecidos com a vida real e tanta cor, tanta música e tanta gente dizendo que saía do cinema de coração recheado de amor me fizeram querer assistir ao filme como eu nunca quis assistir a nenhum musical. Parecia o filme perfeito pra me deixar um pouco mais leve, pra me fazer encarar a vida real de uma maneira um pouco mais colorida e leve. “Para os sonhadores que acreditam no amor, para os apaixonados que acreditam em sonhos” diz a tagline do pôster nacional. Por mim, tudo ótimo.
Trata-se de um filme REALMENTE muito bom. Tecnicamente perfeito, uma homenagem ao cinema, até mesmo uma aula de como se fazer tantas coisas e é por isso que ganhou os Globos de Ouro e vai ganhar todos aqueles Oscars. É lindo de ver, uma experiência cinematográfica única. De encher os olhos. Mas só os olhos. O coração esvazia um pouco.
La La Land é um filme sobre sonhos e amor, sim, mas conta uma história sobre o quanto as pessoas se anulam na tentativa de realizar tanto um como o outro; o quanto essas mesmas pessoas machucam quem as cercam, já que é descaralhantemente difícil integrar as duas coisas. O sonho e o amor meio que não se bicam, são parecidos demais pra funcionarem juntos. “Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço”, esse tipo de coisa.
Do ponto de vista e de vida em que eu estou, La La Land RESSOOU com muito mais tristeza pra mim. Tem muito de vida real nele: a busca eterna pela vida leve e colorida enquanto a gente luta, com uma boa dose de violência, contra nós mesmos e acaba sobrando pra quem a gente ama, resultando, muitas vezes, em perdas.
Mostra também, é verdade, que as coisas melhoram, se você segue em frente: a aspirante a atriz vira celebridade em Hollywood e tem uma família feliz, enquanto o músico abre a casa de shows que tanto queria abrir.
Mas a história não é sobre o resultado, é sobre o processo até chegar ali — um processo doloroso pra caralho. E os sonhos dos sonhadores e aquele amor dos apaixonados do pôster? Esses acabaram completamente destruídos pela vida. Acontece. E nem por isso a gente deve deixar de viver.











