Demolidor retorna mais político, brutal e necessário
Com o espírito da era Netflix recuperado, Matt Murdock enfrenta o autoritarismo de Wilson Fisk entre paralelos com a vida real e o retorno de rostos conhecidos, mostrando sua força dentro do MCU
Quando a série do Demolidor estreou na Netflix, onze anos atrás, eu esperei até o início da madrugada pra assistir ao primeiro episódio assim que ele fosse liberado. Veria um só pra ter uma ideia de como era e tava ótimo, continuava amanhã. Acabei assistindo à temporada TODA numa bordoada só. Gosto do lado “vamos salvar o universo” do MCU, mas quando o negócio vai pra rua, acho muito mais legal. Talvez por isso essas séries da Netflix tenham sempre me agradado, até quando eram meia boca (estou olhando pra você, Punho de Ferro).
Mas, no momento em que tudo tava perdido e cancelado, Charlie Cox participou do filme do Homem-Aranha e o Demolidor, o ATREVIDO, renasceu na Disney+.
A primeira temporada de Demolidor: Renascido, que é meio que a quarta porque continua anos depois da adaptação produzida pela Netflix, não é ruim, mas parece que ainda tava tentando se acomodar na nova casa. Tinha muita coisa boa ali, mas o clima geral era de um tênis novo: tem que andar um pouco pra ele ficar confortável.
Pois bem! Demolidor: Born Again retorna agora como aquele tênis que pode estar meio surrado, mas que já virou parte de você de tão bom que é usar.
O vigilante e o prefeito
O final da temporada anterior deixou bem claro que o combate entre Demolidor e Rei do Crime alcançaria outro patamar com a eleição de Wilson Fisk para prefeito de Nova York. Desde o primeiro episódio, fica claro como a máquina midiática da prefeitura é colocada a favor do vilão, que criminaliza os vigilantes mascarados e coloca nas ruas uma força tarefa contra eles.
Apesar de todos os envolvidos dizerem que foi uma coincidência, em vários momentos da temporada é possível traçar um paralelo entre esses “policiais acima de todos” e o ICE, a polícia de imigração dos Estados Unidos. Uso de força contra inocentes, buscas sem mandado de prisão, uma arrogância de “nós somos a lei e vocês são os errados”. Tá tudo ali, muitas vezes até de maneira escancarada, o que me surpreendeu por se tratar de uma produção da Marvel e, consequentemente, Disney.
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O caldeirão que Nova York se torna é o cenário perfeito para um agora foragido Demolidor contra o prefeito Fisk. Charlie Cox mais uma vez confirma o seu lugar entre as melhores adaptações de um personagem de quadrinhos pra tela, seja com seu Matt Murdock ainda lutando para levar criminosos à justiça, ou sua persona vigilante, que resolve amaciar a carne dessa galera na porrada agora com seu novo uniforme preto (e finalmente com o DD no peito) descendo o sarrafo sem dó na galera. Aliás, são poucas as cenas que mostram Murdock fora de sua vestimenta de Homem Sem Medo.
Já Fisk busca uma forma de limpar a cidade dos vigilantes, usando todos os meios necessários, enquanto tenta enriquecer e ficar ainda mais poderoso no processo. Ele também começa a entender que assumir a prefeitura pode não ser exatamente o fim que ele desejava, enfrentando a burocracia e outros elementos que podem atrapalhar os seus planos. Qualquer semelhança...
O JUDÃO já assistiu aos dez novos episódios (numa bordoada só, de novo) de Demolidor: Renascido e podemos afirmar com tranquilidade que as melhores cenas da temporada acontecem quando Murdock e Fisk estão juntos na tela. A química entre o Charlie Cox e o Vincent D’Onofrio continua excelente e a maneira como os personagens foram construídos ao longo de todo esse tempo deixa o relacionamento deles cada vez mais complexo. São duas pessoas que fundamentalmente se odeiam, mas que, de certa forma, conseguem se entender e tornam toda a trama ainda mais interessante.
Pancadaria, reviravoltas e o retorno de um rosto conhecido
Um dos elementos que mais chamou a atenção dos fãs pra essa segunda temporada é o retorno da Krysten Ritter como Jessica Jones, depois dela cruzar o caminho do Matt Murdock em Defensores, ainda na Netflix.
É muito legal ver a personagem de volta, principalmente nesse momento específico da vida dela. Porém, apesar da presença dela na série, ainda é uma história do Demolidor, com todos os problemas pelos quais ele passou na temporada passada, como a morte de Foggy Nelson (isso nem é mais spoiler), sua ex-Heather, sua atual Karen Page e seu inimigo Mercenário.
Inclusive, de todos esses nomes citados, o Mercenário se mostrou um dos personagens mais interessantes desses novos episódios, dando ainda mais vontade de ver o ator Wilson Bethel de volta. Ele protagoniza cenas realmente legai e relembra a todos, a quem interessar possa que, no final, ainda é uma história de gibi, com seus absurdos e piruetas.
Como no passado, mas olhando pro futuro
Como eu disse, Demolidor: Renascido teve uma primeira temporada em que parecia ainda tentar entender exatamente o que podia e não podia fazer com essa nova versão do Atrevido. Tudo aquilo que foi construído na Netflix parecia distante e diluído, mas esses novos episódios parecem retomar aquele espírito, mesmo que andando firme e pra frente.
Finalmente parece que aquela série voltou e talvez ela nem seja a única. E isso só me deixa mais empolgado pro futuro.
A nova temporada não é perfeita, traz alguns problemas que são muito mais pra quem é sarna de gibi e por tudo fazer parte do mesmo universo da Marvel. Se na Netflix existia uma barreira legal clara em que nada se misturava, o fato de estar tudo finalmente sob o mesmo guarda-chuva levanta algumas questões importantes e que ficam sem resposta.
Talvez elas venham em algum momento, mas também não são tão importantes a ponto de estragar a experiência.
A nova temporada de Demolidor: Born Again está disponível na Disney+, com episódios semanais. E dia 12 de maio ainda tem especial do Justiceiro. DOIDEIRA, MALUCO! OS CARA VOLTARAM MESMO!




