...e é por isso que precisamos da Supergirl
Maitê e Pedro são os melhores exemplos do porquê precisamos de um filme com a prima do Superman. E nós tomos somos os exemplos do porquê precisamos de Ana Paula Renault no BBB.
Dessa vez teve, hein? Dessa vez deu certo e o Morph trouxe de volta do Limbo a coluna que o ALÇOU AO ESTRELATO ainda no JUDÃO do Velho Testamento, vinte e um (!) anos atrás. Mas, antes de chegar lá, precisamos passar por duas Supergirls.
A primeira é Kara Zor-El. Com o lançamento do novo trailer com detalhes da história (sim, você também sairia pelo universo querendo dar porrada em todo mundo que eu sei), o Renan contou um pouco da sua história com seus sobrinhos, Maitê e Pedro, e como esse filme é super (viram o que eu fiz aqui?) importante em 2026.
A segunda é Ana Paula Renault. Depois de algumas semanas de reclamações sobre favorecimentos e perseguições, a chamada Bruxona mostrou que tudo aquilo não se passa de teoria da conspiração — coisa que o Borbs não acredita. Mas acredita no capitalismo. E se a Globo tivesse coragem de fazer como a WWE…
Por que precisamos de um filme da Supergirl?
por Renan Martins Frade
Maitê é a minha sobrinha. Em junho, ela completa quatro anos. Totalmente apaixonada pela Spider-Gwen (Mulher-Aranha, Aranha-Fantasma ou Gwen-Aranha, como você preferir chamar), ela tem usado a fantasia da heroína, que demos para ela no Natal, quase como se fosse sua segunda pele. Foram incontáveis vezes que fui atingido por suas teias invisíveis — e olha que eu estou em São Paulo, ela em Manaus.
A Maitê nunca viu os dois filmes de Aranhaverso. É muito nova. Mas ela foi fisgada pela série animada Spidey e Seus Amigos Espetaculares, principalmente na versão de curtas, que está disponível no Disney+.
Pedro, meu outro sobrinho e irmão da Maitê, também é fissurado em Spidey. Ele acaba de completar dois anos, e o Homem-Aranha é seu herói favorito – ao ponto dele abraçar a estátua do personagem que tem no Le Burger, aqui em São Paulo. Deve ter sido o dia mais feliz da vida dele.
Acontece que Pedro é um menino. Ele, assim como eu, sempre pode se identificar com os super-heróis mais importantes. Apesar de suas particularidades, a maioria deles é homem e é branco. Igualzinho a nós dois. O Aranha, é verdade, sempre usou uma máscara de rosto inteiro, permitindo que qualquer um se visse por baixo dela, desde que fosse do gênero masculino.
Não que a Marvel nunca tenha tentado resolver esse problema. Nos anos 1970, por exemplo, criaram a Mulher-Aranha. Só que era uma figura meio que sem graça, distante, que nunca teve o carisma de Peter Parker. Houve outras tentativas depois, mas nada funcionou.
A Aranha-Fantasma veio como uma criação dentro de uma das melhores fases do Homem-Aranha nas histórias em quadrinhos nas últimas décadas, o Aranhaverso. Foi quase como uma brincadeira, uma forma de explorar o multiverso construindo uma realidade na qual Gwen Stacy — a namorada de Peter Parker, que morreu nos gibis ainda no começo dos anos 1970 — tornou-se a heroína.
Não demorou para a própria Marvel perceber que tinha ouro nas mãos. Afinal, a Gwen-Aranha carregou para si um carisma igual (senão maior) ao de Peter Parker. Ela estuda, se preocupa com a relação com pai, carrega suas culpas, passa pelas dificuldades de qualquer adolescente, falha, é independente, toca bateria em uma banda e o mais importante: é uma garota que pode proteger a si mesma, sem precisar de ninguém.
Resumindo: uma personagem com a qual muitas meninas podem se identificar, de verdade.
Por isso, a Spider-Gwen rapidamente ocupou um espaço que a velha Mulher-Aranha nunca conseguiu. Foi alçada a produto de consumo com o seu visual icônico, entrou nas animações de cinema do Aranhaverso com protagonismo.
Fechando o círculo virtuoso da “propriedade intelectual”, Disney e Marvel criaram Spidey e Seus Amigos Espetaculares, junto com outro grande acerto dos gibis nos últimos 15 anos, o Miles Morales. A produção também trouxe um quê de Patrulha Canina, que fisgou a garotada. Estava pronta a fórmula do sucesso.
Nunca vi uma geração que ama tanto o Homem-Aranha como a atual, independente da versão, gênero ou etnia.






