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Tá tudo bem gostar do medíocre, desde que a gente não se contente com isso

Emergência Radioativa é a mais recente peça dessa linha de produção que está nos fazendo acostumar com o que é, no mínimo medíocre -- assim como o filme do Mario, a Disney. Já deu, né?

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Thiago Borbolla
abr 25, 2026
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Eu já tava querendo falar dessa profusão de séries e filmes feitos pro produtoras que costumam mais fazer publicidade do que qualquer outra coisa há algum tempo. Os serviços de streaming, em especial Netflix e Prime Video, tem se aproveitado bastante do orçamento relativamente menor e histórias absurdas pra uma linha de produção que tente justificar o combo de assinatura + anúncios no meio do que a gente tá vendo.

A gente já sabe, não é segredo pra ninguém, que o que importa pra eles é mais gente dentro da plataforma assistindo ao que quer que seja. Começou com o tal binge watching, vieram os roteiros montados pensando nisso específicamente e de repente estamos nessa era em que pedem pra ficar repetindo a história da série ou filme o tempo todo pro pessoal que assiste usando o celular como primeira tela.

Mas aí eu assisti à Emergência Radioativa e percebi que o problema era um pouco pior: estamos sendo alimentados, com aviãozinho e tudo, de cocô. Às vezes um cocô azul, brilhante, realmente bonito, mas cocô. E estamos gostando, só porque é o que tem! Só porque brilha. Só porque tá vindo ali, como um aviãozinho rumo ao World Trade Center.

Nem tinha terminado de escrever sobre isso ainda e surgiu a história de que a Disney vai relançar Vingadores: Ultimato nos cinemas com cenas não só inéditas como novas, pra fazer uma ponte com Vingadores: Doutor Destino (…) — o popular retcon — e pronto. A galera realmente perdeu o respeito construído nos últimos quase 20 anos, só porque “nossa, é a Marvel”.

Ok gostar do que é medíocre, do que é ruim, mas ser feito de otário é outra história.

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Não é só porque a gente gosta de alguma coisa que aquilo é de fato bom

por Thiago Borbolla

Eu devia ter imaginado, depois de tanta gente falar sobre Emergência Radioativa e eu olhar praquele pôster da nova minissérie da Netflix sem sentir qualquer indício de vontade de assistir, que meu coração não me enganaria num caso assim. Que a absoluta falta de qualquer tipo de reação da minha parte deveria significar mais do que pessoas que eu conheço fazendo comentários interessantes sobre aquela história.

Ou talvez eu devesse ter me ligado que, na realidade, estavam falando da história da minissérie e não dá minissérie em si. Porque, de fato, aquela sucessão de cagadas é tão interessante quanto desesperadora e justifica o falatório. Te prende mesmo, cê acaba assistindo aos cinco episódios numa tarde de domingo com a morena sem nem perceber. Mas nosso sistema nervoso deveria entrar em colapso quando vem aquela abertura que, de verdade, não me surpreenderia se tivesse sido feita no PowerPoint. É de uma falta de cuidado, uma ignorância estética... “Coloca o nome da série e tá bom”.

Tá bom não. Cês já repararam o que essas séries “true crime” Made in Brazil de serviço de streaming lançadas nos últimos dois ou três anos tem em comum? Não, não é isso. Nem isso. É que todas são séries "de produtora”. Pode perceber: antes do nome de qualquer pessoa física, o que vemos é o nome da produtora que foi contratada pra transformar aquela história em um produto audiovisual -- contratada ou que conseguiu financiamento depois de um pitch baseado numa história um tanto chocante e que pede um orçamento ok, que eles vão fazer o possível e o impossível pra enxugar e GUESS WHAT?

Das últimas que assisti, todas eram assim. A Mulher da Casa Abandonada e principalmente Tremembé, do Prime Video; Ângela: Assassinada e Condenada, a melhorzinha, da HBO Max; e agora Emergência Radioativa, da Netflix. Todas com histórias fascinantes, todas péssimas enquanto produto audiovisual.

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