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Hollywood não seria nada sem ele. Mas o cinema é tudo.

George Lucas define bem o papel do público em relação ao que se vê nas telonas, mas não parece entender o papel do cinema para o público.

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Thiago Borbolla
jul 28, 2026
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Quando a “Teoria do Autor” foi publicada na revista Cahiers du Cinema, em 1954, por François Truffaut, ela era resultado do seu tempo e do lugar onde foi pensada. A ideia central era de que os filmes deixassem de ser a simples encenação de textos e se tornassem obras de arte por si, com os diretores como os grandes responsáveis por elas -- tal qual um escritor e um livro, um pintor e um quadro. Pessimamente mal resumida, a ideia era “ninguém quer ver um filme de um diretor anônimo, então vamo fazer uns negócios bonitos pro pessoal bater o olho saber de quem é e querer assistir”.

Faz, ou pelo menos fez, algum sentido, em algum nível, mas não no cinema mainstream, onde o que sempre importou foram mais as carinhas que estampam os pôsteres e aparecem em trailers. Sem contar que, no mundo em que vivemos, com tanta tecnologia, com tanta coisa e gente envolvida, é impossível que um diretor possa ser considerado um Autor.

Steven Spielberg talvez seja o maior dos exemplos de alguém que conseguiu ter o controle criativo do que faz, como faz e quando faz, assim como Martin Scorsese e Christopher Nolan, entre uma série de outros diretores cujos filmes você sabe exatamente o que esperar, com assinaturas muito claras. O que eles tem em comum, além de um certo número em bilheterias que deu a eles todo esse esse poder?

Todos conseguem não só, como diz o nome, direcionar criativamente seus filmes, como tem a palavra final sobre o que vai pras telonas; e não fazem absolutamente nada sozinhos. Tudo o que eles pensam e enxergam é compartilhado, sempre. Scorsese não seria ninguém sem sua montadora, Thelma Schoonmaker, e os roteiros de Paul Schrader; a carreira do Spielberg seria outra sem as edições de Michael Kahn e as músicas de John Williams; e quase nenhum grande diretor ou diretora teria seu nome reconhecido sem as colaborações com atores e atrizes.

Outra coisa em comum a esses três é o apreço pela arte. Pelo craft. Pelo ato de fazer filmes. Algo que, quando olhamos e ouvimos o que George Lucas tem pra dizer sobre cinema e o futuro, se torna uma incoerência gigantesca.

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