O Fim da Rua (e os intermináveis anos 80)
O JUDÃO assistiu a esse filme com dinossauros, Anne Hathaway e Ewan McGregor, e é impressionante como quão rasa uma produção dessas pode ser e mesmo assim conseguir prender sua atenção até o final.
Eu realmente pensei que nós já tínhamos superado a fase de nostalgia dos anos 80 e avançado pra década de 90, na beirola de cair de vez nos gloriosos anos 2000. Hollywood, porém, parece ter um apego especial com histórias que se passam há mais de 40 anos. E, tirando todo o clima “filme de Sessão da Tarde”, ainda não consigo entender exatamente porque O Fim da Rua, nova produção da Bad Robot, se passa nessa época.
Talvez por ser produzido JJ Abrams, um cara que tem um tesão por tudo o que Steven Spielberg fez naquela época e só toca projetos que se passam nesse período? Sei lá.
O Fim da Rua, escrito e dirigido por David Robert Mitchell (que também escreveu e dirigiu Corrente do Mal), conta a história de uma família que vive em um bairro que é transportado (ainda mais) para o passado, indo parar no meio de uma floresta cheia de dinossauros e outros animais pré-históricos. Com tudo indo pro absoluto cacete, eles precisam superar seus problemas pra tentar sobreviver e encontrar um jeito de voltar pro mundo que conhecem, sem nunca ir muito mais além disso. É até meio impressionante o quanto o longa é raso, apresentando coisas que te deixam curioso e seguindo em frente na sequência, como se aquilo fosse o suficiente.
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E isso é sobre tudo o que é mostrado. Dentro da família, os problemas conjugais do casal de protagonistas vivido por Anne Hathaway e o Ewan McGregor são mencionados, mas tudo de um jeito bastante superficial. Quando parece que isso vai ser melhor explorado, o filme pula pra outra coisa e parece que tudo se resolveu.
Como poderia se esperar de um filme com aquele clima de sofá com Globo durante a tarde, o filho tem alguns amigos e, logo de cara, já temos uma fuga de bicicleta. De novo, parece que tem algo ali, mas aqueles moleques simplesmente não aparecem mais e essa subtrama é abordada só mais uma vez, em uma cena completamente dispensável.
A filha, a única que parece ter algum conhecimento sobre ciência, toca nisso em uma cena, em outra aparece um lendo um livro e fica por isso mesmo. Tudo é MUITO superficial e fica sempre uma sensação de que dava pra tirar mais desses personagens, mas nunca acontece.
É ruim? Acho que não dá pra dizer que é ruim.
Você deve estar achando que eu odiei O Fim da Rua e eu vou ter que te dizer que não. É um filme raso, mas ainda assim consegue te prender. Sabe quando você está assistindo à TV, começa a passar um filme, você deixa ali e, quando percebe, tá investido pra saber como vai terminar? É isso.
Você conhece de passagem alguns personagens, aceita o mínimo de informação sobre o quarteto principal, percebe que a Anne Hathaway é mais “protagonista” que o resto, vê uma quantia surpreendente de violência contra idosos e até crianças, alguns dinossauros e uma trama que se você parar pra pensar demais, começa a encontrar vários furos.
Só que, ao longo dos 100 minutos de duração da produção, você tá ali sendo levado pela corrente, com uma ou outra cena bem feitas o suficiente pra te deixar tenso e pensando que vai dar merda, mas nada que te deixe realmente impressionado. É um filme de Sessão da Tarde, até no sentido de achar que ele talvez seja uma experiência muito melhor em casa do que no cinema.
É realmente um filme já feito. Pelo menos não é ruim.
PS: Não pense muito no final. Se gastar mais de 2 min com isso, nada vai fazer sentido e você vai ficar meio indignado. Eu fiquei.
O que mais vimos e jogamos por aí…
🦖 A quem o gênero Anne Hathaway enfrentando bichos gigantes possa interessar, quero deixar a dica aqui de Colossal. O filme foi lançado no Brasil em 2017 e os tais bichos gigantes são o produto da saúde mental da personagem dela, representado por um kaiju. Em outras palavras, é um filme que “nossa, Anne Hathaway enfrentando bichos gigantes” mas no fim é tudo um pouco maior e mais profundo. É bem bom. Dá pra assistir aqui, “de graça” e sem cadastro. —Thiago Borbolla





