⭐ OLD BUT GOLD! Wagner Moura
Abrimos e fuçamos nas gavetas do JUDAO.com.br pra relembrar um pouco do que já escrevemos sobre (e, nesse caso, até conversamos!) o grande personagem dessa semana de Oscar
Dois tostões de bastidores pra você. Primeiro: quando estávamos planejando esse retorno do JUDÃO, pensamos nessa editoria OLD BUT GOLD como forma de relembrar e, claro, reaproveitar conteúdos do falecido JUDAO.com.br de acordo com o que estivesse acontecendo no Mundo atual.
Desde o início pensamos em começar com Wagner Moura, já que, além do timing perfeitamente bom, foi a partir da republicação de uma entrevista que fiz com ele que veio o “e se?”. Mas a ideia era diferente. Inicialmente, apenas republicaríamos os textos e vídeos aqui e pronto. Mas, ao publicar lá no Instagram o vídeo que resume um pouco da nossa história como um teaser do que viria por aí nas próximas semanas, lembrei de uma passagem muito legal que deu origem a esse formato menos “toma aqui nossos arquivos” e mais “toma aqui nossos arquivos, foi assim que aconteceu” que você está lendo nesse exato momento.
Segundo tostão de bastidores: por algum tempo que eu não sei precisar, a Sony Pictures realizou em Cancún, no México, o Summer of Sony. Basicamente, ali no fim de Abril, início de Maio, o estúdio literalmente fechava um hotel 5 estrelas e entregava os quartos mais chiques a alguns executivos e a muitos atores e diretores, e o resto a jornalistas de todo o mundo. Assim, eles matavam muitos coelhos com uma apenas uma cajadadinha, divulgando todos os filmes do próximo ano (alguns sem nem trailer lançado) e fechando uma série de negócios em apenas uma semana. Em Cancún.
Senta que lá vem história
Eu estive na edição de 2013 do Summer of Sony. Entrevistei gente pra cacete, foi muito foda pessoal e profissionalmente. Mas, como estavam todos no mesmo hotel e todos os dias rolava uma festa -- além da piscina e a praia sempre liberadas -- a gente também se divertia bastante. Foi lá, numa festa de Smurfs 2, que tomei o meu primeiro porre de verdade, aos 29 anos e 17 margaritas azuis.
Não lembro ao certo quantos Brasileiros estavam lá, mas entre o pessoal do Fantástico, d’O Globo, Estadão e UOL, estavam também o Paulo Terron, na época da Rolling Stone, e o Rodrigo Salem, da Folha e do recomendadíssimo Desafiador do Desconhecido. Eu tenho uma história envolvendo os dois e um grande ator Hollywoodiano, vencedor de Oscar e a porra toda, mas vou focar nesse momento numa outra, que envolve o Salem e um outro ator que tá deixando Hollywood molhada e que, se tudo der certo, se tornará um vencedor do Oscar nesse fim de semana. ;)
Na época dos vazamentos de Tropa de Elite, Rodrigo Salem e Wagner Moura acabaram se aproximando. Tava rolando uma entrevista no momento em que descobriram quem vazou ou descobriram o próprio vazamento e com todo o caos e correria que se instalou, acabaram baixando a guarda da relação jornalista e ator e enfim. Viraram brothers.
“Massa, JUDÃO”
Brasileiro a gente sabe como é, ainda mais fora do País. Num dos primeiros dias, quando a gente ainda tava entendendo tudo o que tava acontecendo, Alice Braga ouviu a gente falando português, perguntou se “Brasil?” e veio se sentar pra almoçar com a gente. Wagner Moura estava em Cancún pra divulgar Elysium, o primeiro filme do diretor Neill Blomkamp pós-Distrito 9, ao lado da sobrinha da Tia Alice e, na entrevista que fiz com eles, acabei conseguindo um dos soundbites mais divertidos da história do JUDÃO depois do “Oi Brasil, Oi Judáo” que, aliás, foi adquirido no mesmo evento.
No nosso último dia inteiro naquele paraíso e com os trabalhos encerrados, já que estávamos ali resolvemos aproveitar pra dar um mergulho naquele mar quente e claro da Península de Yucatan. Nós jornalistas e um amigo de um dos jornalistas... que era ninguém menos que Wagner Moura.
A gente vê pelos seus trabalhos, pelas suas entrevistas e por suas aparições aqui e ali, mas sei que vocês estavam esperando que eu dissesse isso, então pode se tranquilar: eu ATESTO E DOU FÉ que o cara é realmente tudo isso. Não porque tava de sunga ali na minha frente, ou não só por isso; mas quem estava ali com a gente era o Wagner possivelmente cansado de falar inglês sobre um filme que… né?, que comentava sobre o Mezcal que bebeu na noite anterior em algum getogether com o alto escalão do estúdio, sobre o evento e aquele mar, aquele lugar.
Não lembro quanto tempo ficamos ali. Eu, Terron, a Natália do UOL, o Salem e o Wagner Moura. Mas se tudo o que tá acontecendo com ele não fosse motivo pra torcer pelo Oscar, esses minutinhos no Mar do Caribe valeriam a pena.
Plata o plomo
Apesar de em Elysium ele contracenar com Matt Damon, grande ator Hollywoodiano, vencedor de Oscar e a porra toda, seu primeiro grande destaque em Hollywood (digamos assim) foi com Narcos. A série, que foi produzida e teve os dois primeiros episódios dirigidos por José Padilha, importou de Tropa de Elite as narrações do protagonistas (você sabe como elas surgiram?) e surgiu no auge da internacionalização da Netflix, que voava.
Enquanto uma galera realmente reclamava de spoilers quando Wagner Moura afirmou que Pablo Escobar morreria na segunda temporada, como sempre se esquecendo completamente de que o que importa, ou deveria importar, é como a história é contada, muito mais gente — que só fala português — criticou seu sotaque, numa forma freudiana de boteco de esconder as próprias falhas A verdade, porém, é que isso trazia, como não podia deixar de ser, toda uma questão política que a gente ainda vê acontecendo em shows de intervalo de jogo de futebol americano. Narcos provocou os estadunidenses a experimentarem as legendas e, enquanto isso, discutimos não só como chegamos num mercado com tanta presença da dublagem, mas também a importância do poder de escolha.
Na época do lançamento da primeira temporada, Wagner Moura conversou comigo sobre essa coisa de sotaque, de aprender uma língua que ele não falava, o retorno da parceria com José Padilha, as semelhanças com Tropa de Elite todas as dificuldades de se interpretar um personagem tão conhecido e diferente dele. E sim, foi esse o vídeo que fez o “e se?” aparecer na minha cabeça em relação a um possível retorno do JUDÃO. ;)
Foi golpe!
Cês repararam que, depois de Narcos, Wagner Moura e José Padilha nunca mais colaboraram? Enquanto o diretor e produtor resolveu inventar aquela série tenebrosa chamada O Mecanismo, o ator aproveitou o espaço que passou a ganhar internacionalmente para mostrar ao mundo que o que houve no Brasil em 2016 foi, pra dizer o mínimo, “uma ruptura com a democracia”. Também comentou como o rápido (e nem por isso menos preocupante) fim e retorno do Ministério da Cultura, no mesmo ano, era a “a primeira demonstração de obscurantismo e ignorância dada por esse governo ilegítimo”. Mas o pior ainda estava por vir.
Marighella, filme dirigido por ele, acabou tendo sua estreia cancelada em Novembro de 2026. Uma série de burocracias — que sim, pareciam mais má vontade, pura e simples — impediram que a produtora cumprisse tudo que era necessário pra colocar o filme nos cinemas na data pretendida, que lembraria os 50 anos da morte de Carlos Marighella, além de celebrar o mês da consciência negra.
Com a pandemia, Marighella acabou estreando somente dois anos depois, em 04 de Novembro de 2021. Wagner Moura nunca deixou de dizer que foi censurado pelo governo vigente — inclusive recentemente, já durante a divulgação de O Agente Secreto.
Não dá pra dizer que tá errado, né?
JUDÃO Recomenda!
Se você ainda não assistiu a O Agente Secreto, aproveita: o filme estreou na Netflix nesse último fim de semana. Ainda está em cartaz nos cinemas e, se tudo der certo, vai ganhar mais uma sobrevida merecidíssima, mas se você não aguenta mais o inferno que é uma ida ao cinema, fica a dica.
Porém, contudo, entretanto, todavia, se você já assistiu ao filme, vou deixar aqui outra recomendação de filme estrelado por Wagner Moura: O Homem do Futuro. Ninguém dá nada, pouco se fala e tem Legião Urbana na trilha sonora, mas acreditem… vale demais a pena. É uma ótima diversão.
Pena que só tá no Paramount+, aquele serviço de streaming que só o Renan assina, mas… desde quando isso impediu alguma coisa, não é mesmo? Dá uma procurada no YouTube. ;D
Ah!
Só mais um tostão de bastidor pra você. Não é relacionado a Wagner Moura diretamente, mas vale nesse momento: no dia em que fomos comunicados do fim da parceria com o estúdio em que gravávamos o Asterisco, entrevistaríamos Kleber Mendonça Filho por Bacurau. Apesar de afirmarem que a gente poderia gravar naquele dia, um e-mail enviado no meio da madrugada faz com que, no mínimo, a gente exija respeito. E assim acabamos por nunca entrevistar o diretor de O Agente Secreto… ¯\_(ツ)_/¯



