Somehow, JUDÃO returned
Depois de 20 anos acompanhando e cobrindo reboots e remakes, depois do retorno do Oasis e da volta de Ana Paula Renault, chegou a nossa vez!
Por Thiago Borbolla
Nunca, nem por um segundo, me arrependi ou senti qualquer coisa controversa em relação ao fim do JUDAO.com.br. Escrevi na minha última publicação lá e repito aqui: não havia mais tristeza, não existia mais culpa, motivos ou explicações. O JUDAO.com.br precisava ser o JUDAO.com.br. O Borbs precisava ser o Borbs. E o Thiago precisava ser o Thiago.
Eu mudei bastante nesses mais de cinco anos e meio que separam aquele 08 de Agosto de 2020 e hoje. Em absolutamente todos os sentidos que se pode imaginar. O Borbs que decidiu encerrar as atividades do JUDAO.com.br não era o Borbs que começou tudo, lá em 2000. O Borbs que tá escrevendo isso aqui não é nenhum desses Borbses. Na verdade, já se passaram uns 8 Borbses diferentes desde aquele dia 08 de Agosto de 2020. E sei lá eu quantos Thiagos. Desses, perdi as contas.
Minha maneira de assistir a filmes, por exemplo, mudou. Conheci personagens dos filmes da Marvel jogando Marvel Snap, meses antes de assistir. Foi, confesso, uma experiência bastante interessante ser o meme do Leonardo DiCaprio na frente da minha TV -- que nunca funcionou tanto quanto nesses últimos anos. Minha forma de consumir cultura pop, a bem da verdade, é absoluta e completamente outra.
Se ninguém me manda um link pra algum trailer ou notícia de alguma coisa, eu dificilmente vejo. Tenho focado em jogar tudo o que não joguei na infância e adolescência em emuladores ou versões remasterizadas. Você sabia que dá pra fechar todos os Sonics em uma noite só? Demorei mais de 40 anos pra descobrir isso.
Quem também mudou foi o Mundo e, com ele, a maneira como o enxergo. Lembro de ter dito lá nos tempos de CuDoJudas.com que eu pretendia dominar o mundo, por exemplo. Hoje questiono... pra que? O que eu faria com o mundo? Será que não dá pra querer viver uma vida tranquila, de boa? E que todos possam fazer o mesmo, com exceção de alguns poucos? A resposta é que não dá não. O capitalismo tardio e a era da pós-vergonha não deixam. Como disse o Padre Júlio Lancelotti, a gente sabe que vai perder, mas é por isso mesmo que a gente luta. Mas como que se luta num trabalho PJ, sem nenhum benefício, fazendo não só o que a gente não acredita, como que vai contra muitos ou absolutamente todos os seus valores?
Numa licença-burnout, fui assistir a Deadpool vs. Wolverine. Primeira cabine e primeira resenha escrita e publicada em uns 4 anos. Foi gostoso demais ler e ouvir o que o pessoal disse sobre esse “retorno”. Mas foi ainda mais gostoso sentir que havia algo ali. A facilidade de escrever sobre algo que se gosta, o quanto a gente pode atingir escrevendo e, principalmente, a leveza e a diversão que as conversas com o Oda, na época editor do site onde a resenha foi publicada, me trouxe.
O tempo passou. Demorou pra eu acreditar que ainda dava conta de algo assim, mas assistindo a uma apresentação da E3 em 2025, percebi que havia muita gente -- muita gente mesmo -- fazendo o que gosta, porque gosta, e tentanto manter alguma chama viva, independente de grana. Foi assim que nasceu o endcredits., um site idealista que serviu muito mais como prova de que a gente é capaz do que como um veículo de fato. Lá, escrevíamos o que queríamos, porque queríamos. Mas onde isso vai nos levar? Será que conseguimos aquela vida tranquila assim?
Não, óbvio. O capitalismo tardio e a era da pós-vergonha não permite que nada assim aconteça. O que eles fazem é moer pessoas e ideias em postzinhos do Instagram de grandes marcas que não fazem ideia do que querem, em caronas pra lá e pra cá. Mas… e se a gente jogasse o jogo?
É por isso que o JUDÃO está de volta.
O passado é o passado e continua lá, no canto dele. A partir daqui olhamos pra frente, nos desviando do que for possível, mas assumindo o que for necessário -- alguns dão a isso o nome de contenção de danos. Estamos usando uma base de assinantes da minha newsletter pessoal (e sobre isso falaremos mais pra frente com todos eles), utilizando uma plataforma extremamente controversa (não mais do que um Instagram ou X da vida) e, ao contrário do que fizemos durante 20 anos, o conteúdo não será 100% de graça. Mas será acessível.
Ao longo dos próximos dias vamos explicando melhor como as coisas vão funcionar. Convido vocês a ler o nosso manifesto e o nosso FAQ, além de entrar em contato com a gente no contato@judao.com.br e pelo Instagram e Bluesky. Convidamos também, por último mas não menos importante, que você se inscreva e assine o JUDÃO. Por que nós estamos de volta. ;)
Até o JUDÃO teve um soft reboot!
Por André Mello
Em 2020, conversando com Borbs, me foi revelado sobre a morte do JUDAO.com.br. Eu já tinha saído do site há anos, achei triste e “Pô, foda”. Ele perguntou se eu tinha interesse em escrever um textinho me despedindo do site que meio que mudou a minha vida. Falei “Bora”. Obviamente esqueci, até ver que já tinham começado a beber o morto.
Escrevi algumas palavras emocionadas numa madrugada no meio da pandemia e era isso. JUDAO.com.br acabou.
O tempo passou, jogos foram jogados com ele e o Morph, milhões foram perdidos em GTA, cantamos emocionados SENHOR TEMPO BOM em um show do The Killers (a melô do emocionado com ansiedade), choros foram chorados e na fase “e se a gente abrisse um bar?”, resolvemos fazer do bar um cantinho nosso na internet, o endcredits.
Projeto gostoso, feito pra gente tentar não surtar com nossos trabalhos e vidas vitimadas pelo capitalismo tardio, aquecimento global e dor no S2. Só que a gente viu que ainda tava desgraçando nossas cabeças e ninguém sabia direito que estávamos aí na atividade de novo depois de tantos anos.
Foi então que, tentando descobrir o que a gente poderia fazer sobre isso, as palavras “E SE A GENTE VOLTASSE COM O JUDÃO, MAS DE UM JEITO DIFERENTE?” foram ditas. Em caixa alta, mesmo.
Não tinha como ignorar uma cretinice dessa e começamos a conversar. Em um bate-papo online em que apenas o Morph estava normal — enquanto eu era um astronauta e Borbs era um baiacu —, decidimos que era isso aí. O soft reboot do JUDÃO ia acontecer em 2026.
Textos foram escritos, vídeos de teaser foram editados e pensei “Tá e agora?”. Agora estamos aqui, tentando trazer aquilo que sempre fizemos bem pra uma galera que tava meio orfã desse jeitinho MAROTO de falar de cultura pop, do mundo e afins.
Chamo de soft reboot porque se você tá lendo isso aqui, provavelmente tá fazendo isso direto na sua caixa de e-mail, porque o Google, as redes sociais e agora a IA mataram a forma de ganhar a vida com publicidade na internet, então a gente tá fazendo o que pode. Não que a publicidade na internet já não fosse um tipo de morte…
O site mesmo morreu, foi bebido e tá lá como uma forma de arquivo dos vários anos de TRABALHO feito nessa internet. A gente era bom nisso. A gente continua bom nisso (acho).
Chegamos em um ponto em que a gente sabe que o jogo precisa ser jogado com as cartas que nos dão, porque depois de tanto tempo tentando jogar poker com carta de UNO, alguma coisa precisava mudar. Por isso que estamos no Substack, um lugar cheio de sujeira, mas onde tá absolutamente todo mundo.
Estamos no Bluesky e no Instagram também. No X não, porque a gente é bobo, mas tudo tem limite. PERA LÁ TAMBÉM!
No fundo, vai ser a mesma coisa de antes, só que diferente. VENHAM NOS AMAR!
Por que não tentar de novo?
Por Leonardo Alcalde
Aparentemente voltamos. De novo. “Como assim ‘de novo’? Tá usando #substâncias?” Se você não sabe do que estamos falando, é porque precisávamos mesmo voltar nesse formato, com esse nome. Nos apoiando no que construímos em duas décadas de internet, quando tudo era mato. Um mato lindo, verdejante, louco e promissor, quando a internet não era um Tiamat feito de quatro ou cinco bigtechs dizimando o planeta com raios de podridão, IA e tigrinho.
O JUDÃO ESTÁ DE VOLTA, MOTHERFUCKERS! Agora sim. Agora vai? Acredite ou não, até pediram nossa volta em diversas oportunidades nesses seis anos que estivemos fora do ar. Com hashtag e tudo mais, uma gracinha.
A primeira volta foi ano passado, com o endcredits. Borbs e Oda, absorvidos pelo melhor e pelo pior que a vida adulta tinha a oferecer, para não explodir numa grande nuvem de desgraçamento mental iniciaram esse projetinho. Eis que eu, na mesma situação, resolvi me juntar a eles. Sem muita pretensão, escolhemos uma plataforma independente. Uma coisa quase asséptica, tentando nos manter longe da sujeira que criticávamos (ainda criticaremos) e odiávamos (ainda odiaremos). Um espaço para desopilar um pouco, nos queixarmos sobre o fato do mundo estar acabando, reclamar da velhice, falar sobre cultura pop, entretenimento e coisas divertidas. Mas sem dividir espaço com gente bosta.
Era quase um hobby. Quase. Não dá para classificar 100% como um hobby quando você tem assinantes. Se você tem assinantes, você tem uma galera que acredita em você. Se alguns deles pagam, ainda que um valor simbólico, você tem um compromisso. Hobby não é compromisso. São conceitos excludentes.
Os meses vão passando, vamos escrevendo, o mundo seguindo resoluto rumo à autodestruição, e nós três ainda desgraçados da cabeça. Um pouco menos, fazendo essa coisa hobby meio não-hobby de escrever ENQUANTO ainda estávamos miseráveis exercendo atividades que não gostaríamos de estar exercendo. Alvis dizia que o Natalvis é sobre beber. Beber e se vingar. Já a virada do ano é para fazer resoluções. Se segundas-feiras são o dia universal de começar uma nova dieta, janeiros (e seus 753 dias) são o mês oficial de se pensar “que porra eu tô fazendo da minha vida?”.
Assim o endcredits. tal qual uma mariposa sofreu uma repentina metamorfose. Em nosso grupinho de Telegram de falar bosta e compartilhar memes de gosto muito duvidoso, falamos um pouco mais a sério sobre nos organizarmos e deshobbyzar o hobby. Porra, a gente era bom nisso. Tem tanta gente idiota vivendo de internet, por quê nós — idiotas um pouco mais elegantes — não podemos pelo menos tentar de novo? A gente já tem algo, vamos usar esse algo, conhecido como JUDÃO.
Mas não dá pra abraçar o diabo sem sair com um fedorzinho de enxofre. Optamos por não sermos mais o Abe Simpson berrando com as nuvens: bonitinhos, engraçadinhos, enrugadinhos e grisalhos, mas sem fazer muita diferença para os outros e, principalmente, para nós mesmos.
Então voltamos. De novo. AGORA VAI SIM, CARAI!
Porém não como vocês conheciam. O site, que botamos para respirar com a ajuda de aparelhos em 08 agosto de 2020 vai permanecer como está. Todo o conteúdo está lá, mas como arquivo. Agora vamos de Substack. VEM MAIS COISA POR AÍ, mas vamos dar o pontapé inicial assim, nessa plataforma meio problemática, cientes de que vamos NOS VENDER e dividir o espaço com gente bosta. Mas tem muita gente legal também, e é nelas que vamos focar. O fato é que esse é o jogo que a gente joga dentro dessa coisa que gostamos chamar de realidade material. Você pode boicotar a Havan e fazer cara feia para aquela estátua com seu background em arquitetura greco-goiana o quanto você quiser. Mas só para deitar a cabecinha no travesseiro com um pouco menos de desgraça dentro, porque isso definitivamente não vai fazer o Huciano Lang mais pobre. Você joga o jogo (perdi) porque você não tem outra escolha. Bom, até tem, mas aí sua família ia sentir sua falta. Então pode comprar seu iPhone, sua roupinha de marca, ir para a Disney, escrever no Substack. Só não pode continuar no X, porque aí já é demais.
Estamos dizendo isso para vocês ou para nós mesmos? Difícil dizer.
Então além da newsletter e da plataforminha bonitinha que ela oferece para organizar as publicações, você vai nos encontrar no Bluesky e no Instagram. Talvez até no bar, quem sabe? Pelo menos o bar a gente tenta escolher um que não seja frequentado por nazistas.








Oiju