Em Dia D, Steven Spielberg ainda acredita na gente
Entre conspirações, suspense e visitantes de outro mundo, existe uma mensagem que só se revela para quem estiver disposto a ir além da primeira camada
Se futebol não é só futebol, filmes de Steven Spielberg nunca foram só sobre alienígenas, tubarões e dinossauros... mas sempre foram sobre a mesma coisa, no fim as contas. Com Dia D, o diretor constrói uma história que pareeeece ser uma coisa numa primeira camada, mas é completamente diferente quando observada com mais atenção.
Agora, se futebol não é só futebol... o novo FIFA (o oficial, no caso) é só mais um jogo totalmente licenciado, mas bem qualquer coisa. Talvez valha mesmo a pena assistir a um República Democrática do Congo VS. Uzbequistão (é no dia 27, às 20h30). :P
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O novo filme de Steven Spielberg
O novo FIFA que você joga na Netflix (!)
Um filme de Steven Spielberg que não é como os filmes de Steven Spielberg que estamos acostumados
por Renan Martins Frade
Considerado o maior cineasta da história, virou um clichê aclamar Steven Spielberg. Em qualquer lugar, o seu nome atrelado a uma produção é por si só um selo de qualidade, um argumento de venda.
Lembro bem quando tive o primeiro contato com a sua obra. Foi com E.T.: O Extraterrestre. Tubarão veio pouco depois. Influenciado pela minha mãe, que já adorava o trabalho do cara, fui entendendo quem estava ali do lado de trás da câmera. Aí chegou Jurassic Park. Não que precisasse de muito mais, mas Spielberg entrou tranquilamente no meu panteão pessoal da sétima arte.
Acontece que, naquela época, eu enxergava apenas a superfície. Tinha pena daquele alienígena que poderia ser meu amigo. Medo daquele tubarão ameaçador. Delirei ao ver os dinossauros rugindo para além da tela. Mas aquelas eram obras muito maiores e mais profundas do que pareciam à primeira vista.
Nesta semana, estreia nos cinemas brasileiros o novo longa-metragem de Steven Spielberg, Dia D – em uma péssima adaptação do título original, Disclosure Day (”Dia da Revelação”, em tradução livre). E, como acontece com os melhores filmes do cineasta, existe muito mais aqui do que o olhar inicial sugere.
Quem olhar só para o pôster, ou para o trailer, com o nome “Steven Spielberg” escrito em letras garrafais, já pode dizer que gostou, mesmo que não entenda muita coisa. Poucos sabem contar uma história visual neste nível. Sem falar que este é um daqueles roteiros que vai se revelando aos poucos, como uma cebola, em uma mistura de ação e suspense que te joga no meio da confusão e vai te guiando até achar um rumo.
O roteiro, assinado por Spielberg e David Koepp (que também escreveu Jurassic Park), mostra suas intenções aos poucos. A história é sobre Daniel Kellner (Josh O’Connor, de Vivo ou Morto: Um Mistério Knives Out) e Margaret Fairchild (Emily Blunt). Eles não se conhecem, mas, de repente, suas vidas ficam conectadas por uma conspiração para manter oculta a existência de alienígenas num mundo que não é exatamente o nosso, mas estamos quase lá — há grandes guerras acontecendo, e esses conflitos estão gerando tensão em todo o globo. Existe medo. Polarização. Um conflito nuclear iminente. Caos.. Jogando com as peças do tabuleiro, e influenciando nas ações dos dois protagonistas, estão Noah (Colin Firth) e Hugo (Colman Domingo).
Spielberg sempre foi alguém fascinado pela vida extraterrestre — além de E.T., ele assinou Contatos Imediatos do Terceiro Grau, Guerra dos Mundos e, se quiser dar uma forçada, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal —, mas nenhum desses filmes é sobre os aliens. São sobre a gente. E é aí que a cebola de Dia D se abre. O diretor até faz uma forcinha para ajudar nessa compreensão com Jane (Eve Hewson, de Ponte dos Espiões), uma ex-noviça católica que perdeu suas convicções, mas não a fé, criando um paralelo entre a personagem de Emily Blunt e aquilo que o mundo necessita justamente nas mãos de Jane.
Ainda que seja conduzido por um mestre do estilo, o longa tem suas derrapadas. Chega a surpreender que algumas cenas com CGI não tão bom estejam em uma obra de Spielberg e, em determinados momentos, o diretor se deixa levar por uma pieguice que surpreende até para os seus padrões. Em outros, revela a inocência de alguém que talvez ainda não tenha percebido a pulverização da atenção no mundo de hoje e que ainda espera que, lá no fundo, exista algo bom em todos nós.
Se, ao final dessa jornada, você não tiver saído da superfície, talvez fique frustrado. Mas, se conseguiu se aprofundar na mensagem, vai perceber que Dia D nunca esconde o que quer dizer. A resposta não está guardada para a última cena, nem para uma grande revelação. Ela aparece aos poucos, camada após camada, para quem estiver disposto a descascá-las.
O que mais jogamos por aí…
⚽ O novo FIFA está entre nós. Depois de encerrar o casamento de décadas com a EA, a entidade máxima do futebol fechou um acordo de licenciamento com a Netflix (!) e assim nasceu FIFA World Cup: Launch Edition, já disponível no serviço de streaming, na aba Jogos do aplicativo para TVs e também via navegador no computador.
Quando tudo começa, a primeira impressão é até boa. Criado com base na Unreal Engine, o game não tem a pretensão de ser um título AAA. Ainda assim, é surpreendente ver tudo aparecer na tela quase de forma instantânea. Os gráficos lembram a geração Xbox 360 / PlayStation 3, mas com uma iluminação melhorada, o que é um bom resultado para um título que pode rodar em praticamente qualquer TV compatível com a versãoatual do aplicativo da Netflix.
Você também não precisa de um joystick. É possível usar o próprio celular como controle. Há um certo delay, mas, considerando toda a infraestrutura necessária para colocar algo assim de pé, não chega a comprometer a experiência.
Além disso, com o licenciamento em dia, o jogo traz as 48 seleções que disputarão a Copa do Mundo, com elencos atualizados – lembrando que o EAFC 26 só adicionou a Seleção Brasileira recentemente. Pra completar, as partidas contam com toda a identidade visual do torneio que começou hoje. O clima funciona muito bem, e dá para disputar a competição inteira em vários estádios diferentes.
As boas notícias acabam aí.
A inteligência artificial dos adversários é horrível, quase uma piada – e não há qualquer opção para aumentar a dificuldade. E isso nem é o pior. Em vez de ir no básico e trazer botões tradicionais para o controle via celular, o novo FIFA aposta em comandos por gestos na tela. Além de ser impossível decorar todos eles, mesmo quando você consegue, nada garante que o jogo vá interpretar corretamente o que foi desenhado com os dedos.
Em um jogo que exige precisão, isso se torna extremamente frustrante.
O trabalho de localização é outro que fica devendo. Há narração em português, mas ela soa artificial o tempo todo. O áudio também sofre com problemas de concatenação: em várias situações, o nome de um jogador ou de um país aparece encaixado no meio da frase de forma totalmente deslocada. Pra piorar, há alguns erros crassos na pronúncia de alguns nomes.
Tudo isso faz com que FIFA World Cup: Launch Edition não seja um passatempo digno do nosso tempo, nem da franquia que a EA construiu – que, apesar de seus problemas, nunca entregou algo tão frustrante.
Vamos torcer para que, até 2030, eles consigam ao menos encontrar a bola em campo.
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EMBUÍDOS do espírito da Copa do Mundo, assistimos e escrevemos sobre Brasil 70: A Saga do Tri, a série sobre a conquista do tricampeonato da Copa do Mundo em 1970 que joga bonito, tecnicamente muito bem… mas não encanta mesmo assim.
Também entramos no HYPE e assistimos e escrevemos sobre um dos fenômenos desse ano, Backroom, um terror ATMOSFÉRICO que funciona não apenas por ser diferente, mas também por permanecer aberto a interpretações.
Os dois textos estão exatamente aqui, vai lá ler!







