Homem-Aranha: Um Novo Dia, uma nova vida e eu tô me sentindo bem
É o melhor filme da Marvel em MUITO tempo, quase o melhor de todos os Homem-Aranha. Mas isso você vai ler em todo lugar. Aqui no JUDÃO, bem...
Fosse bom, fosse ruim, é claro que eu estaria aqui no JUDÃO pra falar de Homem-Aranha: Um Novo Dia, pronto pra defendê-lo com todas as minhas forças de quaisquer detratores simplesmente porque, no alto de minhas quase quatro décadas de vida, o Aranha segue como meu personagem favorito.
De uma maneira rápida e direta, pra quem quer saber de maneira FRIA se o filme é bom, tenho o seguinte a dizer: é tranquilamente o melhor filme do Homem-Aranha dentro do Universo Cinematográfico da Marvel (evitando escrever “dentro do MCU” porque risos). diria ainda que, em alguns momentos, fica respirando no cangote do Homem-Aranha 2 do Sam Raimi. Em outros, chega até a superá-lo, principalmente nos momentos em que o Aranha é, bem, o Amigão da Vizinhança, o Cabeça-de-Teia que todo mundo gosta.
Ainda tem todo um clima GIBIZÃO, no melhor e pior sentido da coisa, já que vários personagens aparecem e somem meio que sem motivo e tudo tem um ritmo um tanto frenético, mesmo durando o suficiente para que desse e sobrasse tempo pra um respiro. No final, porém, impossível não sair acreditando que temos o melhor Homem-Aranha nos cinemas.
DITO ISSO, que você poderia ter lido em qualquer outro lugar, chegou a hora de falar mesmo de Um Novo Dia pelos olhos de um emocionado pelo personagem e na vida.
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Vivendo após o sacrifício
Como todos os trailers e comunicações de maneira geral fizeram questão de repetir pra que ninguém se esquecesse, depois dos eventos de Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa, o Peter Parker perdeu tudo. Companheiros de batalha que lutaram ao seu lado pra salvar o universo, amigos, seu primeiro amor. Ele perde até a própria identidade. E tudo pra que essas mesmas pessoas pudessem seguir em frente.
O Homem-Aranha que encontramos em Um Novo Dia é alguém que melhorou e muito como super-herói mas, com o passar dos anos, acabou assistindo ao que poderia ser sua vida através de um feed de rede social. Dia após dia.
Peter Parker foi esquecido pelo mundo e por ele mesmo. A ideia do sacrifício do herói não é nenhuma novidade, mas Homem-Aranha: Um Novo Dia trabalha bem a ideia de alguém que estaria disposto a dedicar sua vida a um bem maior, nem que isso significasse seu bem estar e identidade. O mesmo poderia ser dito de outros heróis, como o Batman do Robert Pattinson, mas o Aranha do Tom Holland é alguém que claramente anseia por tudo aquilo que perdeu. Ele ainda vê o melhor amigo e a namorada que precisou abrir mão vivendo em outra cidade, imaginando como seria a sua vida se tudo fosse diferente.
Ele ainda é o Amigão da Vizinhança quando interage com outros heróis, mas poucas vezes abaixa a guarda como fazia quando era um dos Vingadores. Esse Peter Parker criou uma cerca em torno de si que de vez em quando ele olha em volta e não deixa ninguém subir -- pra ele, ter alguém próximo significa se abrir de uma maneira que o deixa vulnerável e, principalmente, deixa os outros vulneráveis.
Na vontade de ajudar todo mundo, ele se fecha pra algo extremamente humano e que ele tanto anseia: conexão.
Você não precisa fazer nada sozinho
Em vários momentos da vida, é necessário enfrentar as coisas de frente e ser forte. Porém, você não precisa fazer isso sozinho. É o que Homem-Aranha: Um Novo Dia mostra e exatamente onde ele se torna um filme tão poderosos.
A gente pode se enfiar no trabalho, em buracos questionáveis, se isolar de tudo e de todos, mas no fim do dia ainda somos animais sociais e precisamos uns dos outros, por mais birrentos ou suficientes que sejamos. Peter Parker acredita saber exatamente como será a sua vida depois do seu sacrifício e, em dado momento, é confrontado sobre como ele não deveria escolher pelos outros. Que apesar de ter feito uma escolha importante, ele não pode simplesmente decidir pelos outros se eles querem ou não estar próximos dele de alguma forma.
Isso acontece porque, depois de anos, ele ainda acredita saber quem são aquelas pessoas, quando na verdade não parece sequer conhecer a si próprio. Às vezes, você precisa de alguém pra chegar lá, seja montar pra montar um LEGO ou sair dando tiro em um gigante esmeralda.
Aprendendo a encarar um novo dia
Todo mundo muda. Ninguém que você conheceu há anos continua exatamente a mesma pessoa hoje. Homem-Aranha: Um Novo Dia mostra um Peter Parker que abriu mão de tudo, mas acredita que tudo o que deixou para trás continua o mesmo.
Os Vingadores não são mais os mesmos. Os seus vilões não são mais os mesmos, parceiros continuaram suas vidas enquanto Peter Parker continuou no mesmo lugar. O mundo em que ele vive, com cada vez mais pessoas especiais, vive em constante mudança. Seu próprio corpo quer mudar, mas ele luta e se sacrifica pra que isso não aconteça. Aceitar que as coisas estão mudando ainda significa pra ele deixar tudo pra trás, mas não é porque você acredita que parou que os outros fizeram o mesmo. Principalmente se o que você fez basicamente apagou a sua existência da vida de todo mundo.
E talvez essa seja a mensagem que eu consegui pegar de um filme de hominho. O mundo muda. Nós mudamos. E nós só vamos aproveitar o nascer de um novo dia, uma nova vida no momento em que aceitarmos que isso é natural. E assim nós podemos nos sentir bem com quem somos e eventualmente encontrar aqueles que vão andar do nosso lado -- tudo isso com piadinha como no gibi e briga como no videogame.
FODA DEMAIS.
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