O Drama de não conhecer totalmente quem você ama
Filme da Zendaya com Robert Pattinson te coloca pra pensar na força de um sentimento, enquanto o álbum solo do Flea te faz sentir esse e outros tantos sentimentos
Amor é foda. O amor faz a gente enlouquecer, faz a gente dizer coisas pra depois se arrepender... depois vem aquele calafrio e o medo da solidão faz o que? Faz a gente perder o desafio. Aí vem o desespero, machuca o coração... e tudo poderia ter sido resolvido com uma conversa. Ou duas. Ou muitas, de preferência, porque se alguma coisa dá errado a ponto de causar todo um drama, olha...
Mas amor não é só algo que a gente divide (e eventualmente projeta) com outra pessoa. Amor pode ser muitas coisas, de muitos formatos, inclusive sozinho. Amor pode ser um tipo de som muito específico, que faz sentido “quando a gente é bombardeado por tanta farsa e tanta realidade ao mesmo tempo”. Amor é foda.
Hoje a gente fala sobre ele aqui no JUDÃO. O Oda assistiu ao “filme da Zendaya com o Robert Pattinson”, enquanto o Renan ouviu o álbum solo do Flea (sim, o baixista do RHCP), no metrô, num dia que foi, definitivamente, um dos dias. Os dois escreveram o que sentiram sobre o que viram e ouviram e vocês conferem aqui embaixo.
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O Drama que é não conhecer totalmente quem você ama
por André Mello
Digamos que você é uma pessoa que ainda não desistiu do amor. Você quer encontrar alguém pra amar, que que te ame de volta e com quem você possa compartilhar a vida. Bonito, claro. Só que ninguém para pra pensar com calma que por mais que exista um sentimento real, você provavelmente nunca vai conhecer alguém completamente.
Não adianta, pode ser o casal mais aberto um com o outro possível, vai ter um ponto cego. Somos seres humanos, isso é totalmente natural. Por mais que você queria compartilhar TUDO, algo fica só pra você, seja por medo de uma rejeição, por algo que pode não parecer importante. Algo sempre fica ali. Só que surge a pergunta: o que acontece quando a outra parte descobre algo que pode mudar a forma como esse amor é visto ?
É basicamente essa a história de O Drama, filme estrelado por Robert Pattinson e Zendaya e que gira em torno de um casal que, às vésperas do seu casamento, acaba descobrindo mais do que esperava um do outro.
O motivo pelo qual o caos acontece é totalmente compreensível e muito provavelmente será o centro de conversas após o lançamento do filme, mas no cerne da história, está a dúvida sobre o quanto um amor pode mudar por conta de um detalhe da vida do outro.
Serei sincero ao falar que em boa parte dos papéis que vi da Zendaya, ela interpreta personagens MUITO parecidas entre si. Tudo é muito ZENDAYA, o que poderia indicar que ela não é uma boa atriz, mas ainda é um pouco difícil vê-la desaparecer de verdade em um papel. Isso quase acontece em alguns momentos de O Drama, mas principalmente pela química inesperada que ela tem com o Robert Pattinson.
O jeito da Emma, sua personagem nesse gilme, às vezes meio tímido, cabreiro, consegue se desenvolver com o jeito meio abobalhado e inquieto de Charlie, o personagem do Pattinson. Você não duvida do casal, até o momento em que tudo é posto em xeque.
Será que a Emma é realmente aquela pessoa pelo qual o Charlie se apaixonou ou está escondendo algo muito grave? Será que tudo o que ele sabia e sentia por ela ainda vale depois de uma revelação? Será que ele, e outras pessoas, não estão sendo hipócritas?
No fim das contas, isso realmente importa?
O seu passado faz você ser quem é hoje
E aí entra uma coisa que o filme me fez pensar muito. Quando você conhece uma pessoa, não é como se ela surgisse do nada somente pra existir na sua vida. Existe um passado, experiências boas, ruins, acontecimentos que formaram aquele alguém que está na sua frente. E esse alguém, de alguma forma que pode ter sido sincera, fez com que você se apaixonasse por ela. Sendo assim, qual é o limite que você pode traçar pra algo acabar com tudo isso?
O exemplo bem específico que o filme mostra, e que gera todo o caos da história, revela uma insegurança e problemas que poderiam ser resolvidos de uma maneira mais tranquila se não fosse uma possível dúvida sobre tudo.
Só que não é exatamente isso que é amar e querer compartilhar a vida com alguém? Aquela história de “na saúde e na doença, na alegria e na tristeza” meio que deveria englobar a ideia de “essa pessoa teve uma ideia cagada lá atrás, mas hoje é esse alguém que eu admiro”. Fora que o que a pessoa fez no passado a transformou em alguém que você se apaixonou. Não seria o caso de tentar entender melhor as coisas?
E no meio do caos e do incômodo de várias cenas, eu ri, eu fiquei tenso, eu me entortei de vergonha na cadeira do cinema. E ainda por cima, saí pensando na força de um sentimento.
Filmão, hein?!
Um som pra fazer sentido no meio de tanta farsa
por Renan Martins Frade
Um dos maiores baixistas do mundo. Mas Michael Peter Balzary é muito mais do que isso.
No final de março, Flea (o nome com o qual escolheu ser conhecido pelo mundo) lançou seu primeiro álbum solo, Honora. Nele, o integrante do Red Hot Chili Peppers mergulha em suas incontáveis referências e influências – como new wave, country e, principalmente, jazz – para tirar um som que soa moderno, melancólico e retrô ao mesmo tempo.
O baixo, claro, está lá. Mas, agora sozinho, Flea pode explorar sua bela melodia e tocar com primazia o trompete, sua outra grande marca.
Isso traz uma beleza para as notas, daquelas em que você pode viajar nos acordes. A primeira vez em que ouvi Honora foi em um dia especialmente difícil, no metrô, isolado do mundo por um cancelamento de ruído. Os gestos triviais do dia a dia, ali na minha frente, ganharam contornos de ballet, com as mãos dançando no ar.
Isso não quer dizer que o álbum não seja político. “Guerra civil”, canta Flea na faixa A Plea. Mas, em meio a tanto ódio, ele indica a solução: “Construa uma ponte, acenda uma luz. [...] Faça algo lindo (paz e amor). Não me importo se for um rabisco de giz de cera num papel. Faça algo bonito e veja alguém. Dê para alguém [...] Todo mundo só quer ser amado”.
Honora ainda tem duas participações especiais. Em Wichita Lineman, um cover de Jimmy Webb, quem canta é Nick Cave. Já em Traffic Lights, o vocal, piano, sintetizador e a coautoria são de Thom Yorke, do Radiohead, com quem Flea toca na banda Atoms for Peace.
“Só de conhecê-lo, eu achei que seria um ritmo e uma sensibilidade com os quais ele se identificaria. E eu estava certo, ele se identificou”, contou Flea em entrevista ao Stereogum. “Com uma melodia linda e as palavras, sabe, sobre viver no ‘mundo invertido’ e como fazer sentido das coisas quando a gente é bombardeado por tanta farsa e tanta realidade ao mesmo tempo? Cada um tem sua forma de lidar com o mundo”.
Para quem procura as participações dos outros Peppers, Chad Smith toca bateria em Golden Wingship, e John Frusciante assume o trompete e o processamento de áudio da caixa em Frailed, além de fazer a mixagem e o processamento de Willow Weep for Me.
Mas, para mim, o auge é mesmo Maggot Brain. Flea transforma esse clássico do Funkadelic, uma viagem instrumental com guitarra distorcida criada por George Clinton, em uma melodia que vai fundo no coração, embalada pelo trompete e soando quase como um jazz contemporâneo.
Talvez seja melancolia em mim, mas eu chorei.
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