O filme do Mario é exatamente o que você pode esperar dele
Essa enorme desculpa pra cenas e piadinhas divertidas, easter eggs da Nintendo e vender brinquedo não incomoda tanto quanto deveria por um motivo bem especial.
O Filme do Mario™ é a grande estreia da semana, mas não a única coisa que assistimos! Além de documentários políticos, musicais e um pequeno grande e divertido joguinho, tem também um filme muito legal e importante no streaming pra ver sem sair de casa... se você for desses. :)
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Nesta edição!
Um filme do Mario igual ao outro filme do Mario
O documentário vencedor do Oscar
Joguinho bem divertido baseado em Exterminador do Futuro 2
E MAIS! Um filme muito legal sobre autismo e um documentário sobre o Red Hot Chili Peppers que não é exatamente sobre o Red Hot Chili Peppers
O filme do Mario é exatamente o que você espera
por André Mello
Esses dias o Morph falou sobre como o cinema americano, que acaba se tornando referência pra tudo o que a gente acaba assistindo na tela grande, foi tomado por uma falta de criatividade sem igual, com sequências e adaptações se tornando o padrão.
Então, como falar que eu gostei de um filme que é uma adaptação E uma sequência? Um filme que, se for analisar friamente, tem a profundidade de um pires e é o tipo de produção equivalente a ficar balançando um molho de chaves na frente de uma criança de colo ou de um cachorro hiperativo.
Só que, mesmo sabendo de tudo isso, Super Mario Galaxy - O Filme consegue surfar o que o antecessor criou, ainda que o faça de um jeito que dá pra entender TODAS as reclamações possíveis que ele possa gerar e, mesmo assim, ser uma experiência bem divertida.
Vou ser sincero aqui e falar algo que no fundo você sabe e não vai poder reclamar. Mario praticamente não tem lore. Os jogos se resumem a “sequestraram essa princesa de novo, pqp! Vai pular em tartaruga!”. Você sabe disso, eu sei disso. O fato de terem arrumado história o suficiente pra um filme do encanador já foi uma vitória.
Talvez por isso, o fato da trama de Galaxy ser uma desculpa pra umas cenas e piadinhas divertidas, uns easter eggs da Nintendo e vender brinquedo não me incomodou tanto quanto deveria. Ainda tem uma princesa sendo sequestrada (dessa vez a Rosalina) e os bonecos vão tentar resgatá-la.
As adições do Yoshi e Bowser Jr acabam tirando um pouco de espaço do Toad, mas temos Mario e Luigi lado a lado o filme inteiro, o que funciona muito bem. Bowser Jr se mostra um personagem divertido dentro do que se propõe e o Yoshi é a escalação mais sem vergonha na cara que Hollywood poderia fazer, principalmente ao alardear a contratação do Donald Glover como voz do bicho.
Você sabe que o Yoshi tá ali pra vender brinquedo. Ele nem faz muita diferença no filme, mas basta a ceninha de como ele entra na história e eu já fiquei feliz e pensando “OLHA O HORÁCIO ALI!”.
Como no primeiro filme, tudo é muito previsível. Tudo acontece em um ritmo frenético, com algumas boas piadinhas, com os personagens pulando (muitas vezes literalmente) de uma sequência de ação para a outra. O lance de Mario Galaxy meio que tá ali pra constar, já que os planetas são vistos todos MUITO de relance. Só estão lá porque foi um jeito de usar elementos do game de Wii (que confesso nunca ter jogado direito por nunca ter tido esse console). Tudo é muito colorido e, devo dizer, muito bonito, mas não tem nada que você olhe e fale “ESTOU HIPNOTIZADO PELO CINEMA!”.
Por um motivo bem especial, porém, eu terminei o filme com um sorriso no rosto. Como milhões de pessoas no mundo, eu cresci jogando Mario. Super Mario Bros. 3 foi o primeiro jogo que eu joguei (vinha junto com o NES) e foi o primeiro que eu consegui fechar.
Os anos se passaram e, mesmo crescendo e de fato crescendo, sempre que sai um jogo do Mario, eu vou jogar e me divertir como quando eu tinha 8 anos (menos Mario Party. Jogo de psicopata do caralho). E como aconteceu com o primeiro filme do personagem da Nintendo, existe algo que vai um pouco além do “vamos só repetir e ficar colocando coisas que os adultos reconhecem”. Quer dizer, tem isso lá e nessa sequência chega perigosamente perto da sem-vergonhice da Disney, mas ainda fica uma impressão que, por baixo de tudo isso de “VAMO VENDER BONECO”, existe uma vontade de fazer algo divertido.
Como eu falei, eu consigo entender TODAS as reclamações feitas por críticos e por outras pessoas que viram o filme. Ele não vai mudar a vida de ninguém, mas às vezes faz sentido algo que tá ali pra te divertir, colocar um sorriso no rosto… e só. Com o mundo do jeito que tá, ele conseguir fazer isso por 1h e meia já considero uma vitória.
Isso pode me fazer um DESLUMBRADO PELAS LUZES DOIDAS DO CINEMA, mas eu acho que antes ser assim do que perder completamente o brilho no olhar. Nem que seja com um boneco em CGI de um encanador usando o último power-up que aparece no filme. Pra mim, aquilo já foi o suficiente pra me fazer sorrir e me deixar feliz.
Um professor contra militares nas escolas (na Rússia, mas qualquer semelhança…)
por Renan Martins Frade
Uma guerra não impacta apenas a frente de batalha. Ela atravessa a vida de todos, dos dois lados do conflito. Um Zé Ninguém Contra Putin, vencedor do Oscar de Melhor Documentário de Longa-Metragem neste ano, traz uma dessas perspectivas. Pavel Talankin — ou, como ele mesmo prefere, Pasha — é professor em uma escola na pequena cidade de Karabash, no interior da Rússia. Responsável pelos eventos e, por consequência, cinegrafista das atividades escolares, ele registra em primeira pessoa as mudanças no ensino público após a invasão da Ucrânia, em 2022, quando o Estado passa a impor aulas de “ensino patriótico”.
O filme tem, sim, suas questões éticas (nenhuma das pessoas filmadas autorizou o uso das imagens em um documentário, por exemplo), mas também mostra, de forma didática (pun intended), o impacto do fascismo na educação e a doutrinação política dentro do regime de Vladimir Putin. Há momentos tão surreais que parecem encenados: ver mercenários do Grupo Wagner ensinando alunos a usar armas, ou organizando competições de arremesso de granadas, é perturbador.
Apesar de ser uma narrativa pesada, há uma leveza: Pasha narra tudo com ternura, com o olhar de quem ama a escola, a educação e aquelas crianças, desejando para elas um futuro melhor. Ainda assim, ele não consegue evitar o que vemos registrado na tela: a mudança no olhar e nos ideais daquelas pessoas. É um filme para assistir e refletir, até porque a militarização do ensino também é tema aqui no Brasil.
Um Zé Ninguém Contra Putin está disponível no Filmelier+, canal dentro do Amazon Prime Video.
O que mais vimos e jogamos por aí…
😎 Eu lembro de ter jogado uma adaptação de Exterminador do Futuro 2 pra Mega Drive nos anos 90. Não gostei, era esquisito. Eis que, 30 anos depois, Terminator 2D - No Fate aparece na minha frente e é o jogo que eu queria ter jogado naquela época. Você basicamente revive os melhores momentos do filme em um game EXTREMAMENTE divertido de se jogar, que você fecha em até uma hora e dá vontade de jogar de novo. E ainda tem como fazer um final alternativo pra história, passando por fases de tiro na cara, controlar uma motoquinha marota e dar murro quando está nu. Grande jogo. @odametal
🎸 No final dos anos 1970, quatro jovens se conheceram em uma escola de Los Angeles. Rebeldes, arruaceiros e “perdidos”, eram apaixonados por música e acabaram influenciados pelo hard rock, pelo funk, pelo punk e pelo new wave que viria depois. Hoje, você deve conhecê-los como o Red Hot Chili Peppers, mas este documentário é sobre antes disso. O filme é, na verdade, sobre a “cola” que os uniu no começo: Hillel Slovak. Um guitarrista incrível, com um coração enorme e um tino artístico único. Foi ele, por exemplo, quem sugeriu que Flea — na época, trompetista — aprendesse a tocar baixo, um momento canônico que deu ao mundo aquele que muitos consideram seu maior baixista. O documentário é uma ótima forma de conhecer mais sobre Hillel e entender como seu impacto ainda vive no RHCP e também abre espaço para discutir o impacto do vício em drogas, já que o músico morreu de overdose. Mas há dois elefantes na sala. O primeiro é que o título do filme — A Origem do Red Hot Chili Peppers: Nosso Irmão Hillel — dá a entender que a produção teve envolvimento da banda, o que não é verdade. Dá para entender, até certo ponto, já que o nome de Slovak não teria o mesmo alcance. O outro é menos defensável: o uso de IA para recriar a voz de Hillel. Aí não, né? Disponível na Netflix. Renan Martins Frade
🧩 Já imaginou receber um diagnóstico de autismo aos 35 anos? É isso que acontece com Katia (Jehnny Beth) em Uma Mulher Diferente. Na história, a documentalista acaba assumindo uma reportagem sobre o transtorno do espectro autista e, durante uma entrevista, percebe que tem as mesmas características. O filme acompanha a trajetória dela de autodescoberta, se aceitar e também ser aceita por quem está ao seu redor, alternando sensibilidade e humor. Vale dizer que o autismo em mulheres é subdiagnosticado e muita gente hoje vive a mesma situação de Katia, recebendo esse diagnóstico apenas depois dos 30, 40 ou até dos 50 anos. O filme francês acaba de entrar no catálogo da Netflix, o que é uma ótima notícia: permite que mais gente assista e entenda melhor a si mesmo e ao outro. Renan Martins Frade
Leia também!
Nós já assistimos à segunda temporada de Demolidor: Renascido e escrevemos sobre como Matt Murdock enfrenta o autoritarismo de Wilson Fisk entre paralelos com a vida real e o retorno de rostos conhecidos, mostrando sua força dentro do MCU. Vai lá ler!








