As idas e vindas pela eternidade de X-Men '97
Assistimos aos 4 primeiros episódios da segunda temporada de X-Men '97 e, apesar das idas e voltas, apesar do fim do mundo, os Mutantes continuam interessantes, atuais e empolgantes!
Bons tempos de JUDÃO em que a gente publicava especiais com diversos conteúdos sobre um mesmo assunto... QUEM LEMBRA? Não é exatamente o que temos aqui, mas muito legal termos acesso a algumas coisinhas com antecedência e trazermos aqui textos sobre essas coisinhas -- no caso, a segunda temporada de X-Men ‘97, que estreia nessa quarta (1) no Disney+.
O Oda assistiu aos primeiros quatro episódios, quase metade da temporada, se viu frente a frente com um tipo de história dos mutantes que não gosta, mas terminou dando mortal de costas e gritando “PAPAI, MIM DÊ”.
Já o Renan assistiu aos mesmos episódios e analisa por que uma série sobre mutantes, viagens no tempo, genocídio e o Apocalipse continua sendo um dos grandes fenômenos geracionais da cultura pop. Afinal, mesmo quando parece estar falando sobre o fim do mundo, X-Men continua interessado em algo muito mais humano — e talvez seja justamente esse o segredo de sua longevidade.
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Muitas trapalhadas no tempo e espaço
por André Mello
X-Men ‘97 foi uma ideia excelente pra usar os mutantes fora dos quadrinhos antes de eles voltarem com tudo no cinema. Tinha o gostinho de nostalgia, aquele arrepio quando tocava a música de abertura, e ainda continuava uma história que meio que ficou pela metade lá nos anos 90.
No lugar de um reboot ou um novo desenho, veio uma continuação com o mesmo estilo de animação, boa parte dos dubladores originais, e uma vontade louca de tocar a história pros fãs. Teve até resolução pra mistério do desenho do Homem-Aranha na primeira temporada! Coisa de maluco.
A primeira temporada de X-Men ‘97 terminou com um gancho absurdo: o time dividido em três pontos do tempo, o retorno do vilão Apocalipse e mais piras cósmicas. E é aqui que nos encontramos com a estreia da segunda temporada, cujos primeiros episódios o JUDÃO já assistiu (basicamente metade dela) e vamos falar sobre.
É por isso que você tá aqui, né? Pois é aqui que eu vou falar um pouco dela, sem falar sobre ela.
Assim como muita gente, minha primeira exposição aos X-Men foi o desenho animado dos anos 90. Eu assistia a ele e Homem-Aranha e foi ali que comecei a ir atrás dos quadrinhos. O Aranha capturou a minha atenção de imediato e se tornou o meu favorito, mas sempre achei a ideia dos X-Men muito boa.
Só que, por algum motivo, todo quadrinho que eu achava na época tinha:
Uma equipe completamente diferente daquela do desenho
Envolvia alguma trama doida com espaço ou gente viajando no tempo.
Isso existia no desenho, mas os quadrinhos não eram particularmente agradáveis e receptivos pra um moleque bobo com seus 10 anos começar a ler. Então sempre tive uma dificuldade absurda de gostar de qualquer história dos X-Men que envolvesse muito essa patifaria toda.
Histórias “normais”: SHOW. Meteu loucura cósmica: eu já me perco.
Qual não foi a minha surpresa quando a primeira temporada terminou exatamente indo pra esses lados, me deixando com medo de me perder porque não é particularmente o tipo de história dos X-Men que eu acho divertida? Eis que, com quatro episódios assistidos, não só o meu medo sumiu, como eu finalmente me empolguei com algo mais “viajado” dos X-Men.
Com a equipe dividida em três períodos (um pessoal foi pro futuro, outros pro passado e alguns ficaram no presente), a série conseguiu contar de maneira bastante rápida o que precisava pra restabelecer a ameaça de Apocalipse, torná-lo um personagem interessante o suficiente pra história e ainda enfiar algumas surpresas e momentos “EITA PORRA”. Tudo isso em só metade da temporada.
Ainda acho a Jubileu uma personagem engraçada por motivos completamente alheios à história (eu dei uma gargalhada gostosa ao vê-la andando de patins e soltando as biribinha dela como se fossem MÍSSEIS NUCLEARES nos outros), ainda acho o Cable um personagem CHATO, mas funciona. É na trama do passado, com um jovem En Sabah Nur, porém, que o negócio finalmente brilha e envolve o espectador. Apesar de ter um foco na família Summers e a história do Cable, Xavier e Magneto continuam como os personagens mais interessantes do desenho e protagonizam o melhor momento desses primeiros episódios. No final do quarto eu já tava “CADÊ O RESTO?”.
Se você gostou da primeira temporada de X-Men ‘97, vai adorar esses episódios. Se ainda não tá vendido pra ideia da animação, vai na fé que tá tudo no Disney+ e dá pra assistir rápido. Confia.
E agora eu só quero que tomem o mesmo cuidado com esses personagens na nova versão dos mutantes no cinema. Porque se funcionar... MEUA MIGO!
Nem o fim do mundo é inevitável
por Renan Martins Frade
Não é difícil entender o fenômeno geracional que é X-Men ‘97, que inicia sua segunda temporada nesta quarta-feira (1º), com três episódios.
Para quem cresceu nos anos 1990, X-Men: The Animated Series, a original, foi marcante. Não só por ser uma adaptação fiel – na medida do possível – das histórias em quadrinhos, mas por ser curiosamente acessível. Quem conhece a intrincada cronologia da Marvel da época entende o motivo do “curioso” na frase anterior.
Acontece que a série, iniciada em 1992, começa com o feijão com arroz. Nos apresenta rapidamente um universo no qual os mutantes são temidos e vítimas de preconceito, e em que diversas forças agem para tirar vantagem disso. No centro, temos a dualidade entre o Professor Charles Xavier e Magneto: cada um, ao seu modo, buscando um lugar para a sua própria raça.
Funciona porque, sem as crianças do outro lado da tela se darem conta na época, aquela era uma metáfora do mundo. É a partir disso que a animação desenvolve sua história. Às vezes, esse contexto era apenas um pano de fundo, justificando o surgimento do vilão da vez. Em outras, era quase que totalmente esquecida enquanto os heróis enfrentavam uma ameaça cósmica ou algo do tipo. Porém, de tempos em tempos, a realidade – mesmo que em celulóide – voltava para nos pegar.
Em 2024, a nova encarnação da Marvel Animation retornou para aquelas histórias, em uma continuação direta do que ficou pendente há quase 30 anos. Era X-Men ‘97.
Mais uma vez, os roteiristas primeiro situaram o universo pelo lado político. Colocaram Magneto liderando os X-Men, criando uma tensão sobre como devemos lutar por um mundo mais justo e adicionaram elementos que conversam com a sociedade dos anos 2020. Isso enquanto acrescentavam mais da mitologia dos gibis dos anos 1990. O arco final, de três episódios – Tolerância é a Extinção – sintetiza tudo isso.
A segunda temporada, que chega agora ao Disney+, aparentemente dá uma pausa nesse caminho. Coloca os nossos heróis perdidos no tempo, com parte dos X-Men indo para o futuro distópico liderado pelo Apocalipse, enquanto o restante vai para o passado, no Antigo Egito, onde o vilão surgiu.
Dos quatro episódios que o JUDÃO assistiu, a década de 90, com suas questões político-sociais, reaparece apenas em um episódio, que tem Cable e Jubileu como protagonistas.
Acontece que X-Men ‘97 engana. O contexto social ainda está lá — afinal, o que leva um homem como En Sabah Nur, um escravizado que conquistou a liberdade e decidiu derrubar um sistema que considera injusto, a se transformar no maior vilão da história? Além disso, mais uma vez, os métodos do Professor X e do Magneto colidem. Vale qualquer coisa pelo futuro da humanidade, com os fins justificando os meios, ou a ética e a correção devem ser a bandeira número um de quem quer um futuro melhor?
Claro que não estamos falando de uma tese de doutorado. Tudo isso continua embalado por cenas de ação empolgantes, daquelas que viviam na mente dos jovens que assistiram ao desenho animado clássico – e que nem sempre correspondiam ao que realmente estava na tela. Agora, correspondem.
É por isso que X-Men continua funcionando depois de mais de três décadas. Porque, por mais que tenha viagem no tempo, genocídio mutante, Apocalipse e tudo mais, nunca deixou de ser uma história sobre pessoas. Se há uma falha, diria que é apenas a conveniência do roteiro. Quando o espectador menos atento já consegue sacar onde tudo vai dar, mas os personagens (teoricamente entre os mais inteligentes de seu universo), não.
Seja como for, uma coisa é certa: o passado pode já estar escrito, mas “não existe destino além daquele que criamos para nós mesmos”. Oops, franquia errada.
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Saindo da sessão de Superman, em 2025, o nosso Oda estava muito empolgado com o filme, mas alguma coisa tava faltando. Já em 2026, saindo da sessão de Supergirl, o mesmo Oda finalmente entendeu o que tava faltando pra abraçar de vez o filme do primo e acabar gostando mais desse novo. Sim, ele gostou mais de Supergirl do que Superman e explicou os motivos aqui. Vai lá ler!








