"Fazemos filmes porque fomos crianças entediadas”
Lindsey Collins, produtora executiva de Toy Story 5, conversou com o JUDÃO e contou um sobre por que e como definiram e desenvolveram a história do filme, uma carta de amor ao tédio e à imaginação
Toy Story 5 não é sobre Woody, Buzz ou Jessie. Quer dizer, é. Mas não exatamente. O novo filme da Pixar, que estreia nos cinemas na próxima semana, é uma história sobre crianças que cresceram com um celular nas mãos e sobre os adultos que ainda não descobriram como lidar com isso.
Lindsey Collins, produtora executiva do filme e vice-presidente sênior de desenvolvimento do estúdio, esteve em São Paulo e conversou com o JUDÃO sobre detalhes importantes da nova aventura: desta vez, o maior inimigo dos brinquedos não é crescer. É uma infância que talvez esteja acabando rápido demais, ameaçada por um objeto que temos na mão ou alcance dela o tempo todo.
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Toy Story 5 é uma carta de amor ao tédio e à imaginação
por Renan Martins Frade
Talvez você não saiba, mas Toy Story 5, que estreia nos cinemas brasileiros na próxima quinta, 18, está intimamente ligado ao celular que você tem em mãos.
Em 1986, Steve Jobs se envolveu com um ainda incipiente departamento da Lucasfilm, chamado Graphics Group, que estava se tornando um estúdio de animação por seu próprio direito, sob a liderança criativa de Ed Catmull e John Lasseter. Esse estúdio é popularmente conhecido hoje como Pixar, do qual o fundador da Apple foi presidente do conselho e principal acionista até 2006.
Pouco depois, em 2007, o mesmo Jobs revelou ao mundo o primeiro iPhone. Além de decretar o fim de Nokia a BlackBerry, aquela demonstração mudou para sempre como interagimos com dispositivos portáteis, fazendo com que o Google recalculasse a rota daquilo que viria a ser o sistema operacional Android.
Agora essa história volta a se conectar. Não porque Toy Story 5 faz uma homenagem a esse começo, mas porque o filme aborda um dos grandes problemas da humanidade hoje: a dependência excessiva de telas, com impactos ainda maiores nas crianças. Um enredo que teve a sua semente plantada justamente em 2007.
“Quando pensamos em Toy Story, sempre tentamos nos colocar no lugar dos brinquedos e perguntar com o que as crianças estão lidando hoje”, comentou Lindsay Collins, produtora executiva do novo longa da franquia e vice-presidente sênior de desenvolvimento do estúdio. “As crianças estão lidando com a tecnologia. Essa é a realidade do mundo em que elas estão crescendo, e os brinquedos também teriam de lidar com isso.”
Em uma entrevista para a imprensa brasileira, realizada em Maio em São Paulo, que contou com a presença do JUDÃO, Collins compartilhou um pouco do processo de criação do filme e de como a equipe chegou ao seu tema central. “Partimos primeiro da realidade. Não estávamos pensando em passar uma mensagem. Estávamos tentando retratar como é o quarto de uma criança hoje.”
É assim que reencontramos Bonnie, que assumiu o lugar de Andy como o dono de Woody, Buzz e companhia no fim de Toy Story 3. Agora com cerca de nove anos de idade, ela é uma criança alegre e criativa, mas não tem amigos. Todo mundo da sua idade está com os olhos vidrados em tablets e celulares.
“Se fizéssemos outro Toy Story sem reconhecer que a tecnologia entrou na história, estaríamos ignorando a realidade.”





