Sim, cabe mais Toy Story!
Toy Story 5 estreou e talvez a gente precise de coragem pra colocar nossas memórias em risco, porque a Pixar conseguiu encontrar algo novo para dizer três décadas depois.
Em 2024, Quentin Tarantino afirmou que se recusava a assistir a Toy Story 4. “Sou um grande fã da trilogia Toy Story”, disse o cineasta ao podcast Club Random. “O terceiro filme é simplesmente magnífico. É um dos melhores que já vi. E se você viu os outros dois, é devastador. Mas o problema é que, três anos depois, ou algo assim, fizeram um quarto. Não tenho a menor vontade de vê-lo. Você literalmente encerrou a história da forma mais perfeita possível, então não, não me importo se é bom ou não.”
Se eu tivesse o Tarantino no ZAP, certamente mandaria um “Calma, Taranta”. E continuaria: “Não só assista a Toy Story 4, mas também não perca Toy Story 5, que estreia nos cinemas neste fim de semana”.
Eu entendo ele. Quando assistimos a um filme que nos marca, ele fica em nossa memória. Vira um lugar bom, para o qual sempre queremos voltar. É como um afago: a nostalgia de tempos que não voltam mais, cristalizados em nossa memória como melhores do que talvez realmente tenham sido. Se você está lendo esta newsletter, certamente tem uma relação assim com o primeiro Toy Story, de 1995. Eu, por exemplo, não vi no cinema. Assisti em casa, direto da fita VHS verde, ao lado da minha mãe.
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Mais do que um longa-metragem inovador para a sua época, a trilogia original foi muito bem desenvolvida, com um terceiro filme que encerra a trajetória de Andy, em um paralelo com quem cresceu assistindo às peripécias de Woody, Buzz e dos outros brinquedos. Você ri, chora, se emociona. E se lembra exatamente de quem era quando assistiu a tudo isso pela primeira vez.
Depois, vem o medo do novo. A preocupação em encontrar algo que te frustre, que estrague aquelas memórias guardadas na cristaleira da sala da sua mente. É por isso que, muitas vezes, fugimos de ver algo pela primeira vez e rolamos por horas e horas no catálogo do streaming para voltar aos mesmos títulos de sempre. Enquanto a nostalgia traz conforto, o desconhecido traz ansiedade.
Talvez eu concordasse com Tarantino, evitando Toy Story 4 a todo o custo. Contudo, inclusive por obrigações profissionais, resolvi botar minhas lembranças em risco e foi uma grata surpresa. Não porque o quarto filme tenta lidar novamente com o que os outros três fizeram, mas sim porque anda para frente. Andy já cresceu, agora temos a menina Bonnie e os brinquedos do quarto lidando com uma nova geração, uma nova dinâmica.
Toy Story 5 vai além. Não só porque finalmente lida com um fenômeno que vemos todos os dias – que é o impacto da tecnologia na vida das crianças, algo sobre o qual falamos aqui no JUDÃO na semana passada. É porque a história é também sobre a Jessie.
Apresentada em Toy Story 2, a bonequinha de pano nunca teve muito espaço depois disso. Agora, Buzz e (principalmente) Woody deixam o centro do palco para ela, permitindo que o público conheça melhor quem Jessie realmente é. A vaqueira se torna o coração do roteiro enquanto parte pelo mundo para salvar Bonnie dos perigos das telas e para finalmente construir uma amizade. Conhecemos melhor suas forças, seus medos e suas motivações ao longo dessa jornada.
E como brilha essa vaqueira, muito mais do que a estrela de xerife que agora carrega no peito.
Toy Story 5 não está no mesmo nível do terceiro ou do quarto. E tudo bem. O importante é que o roteiro não só adiciona novas camadas ao segundo longa da franquia, como também apresenta um final que dialoga muito com quem viu o original, como o Tarantino.
Eu chorei na última cena, ao pensar sobre legado, vida e quem sou. E pela coragem de colocar em risco a minha cristaleira de memórias para ter a chance de guardar mais uma dentro dela.
Coragem, Tarantino. Coragem, leitor. Vale a pena.
O que mais visitamos por aí…
🤠 Em tempos de inteligência artificial, é reconfortante visitar a exposição Toy Story ao Infinito e Além, que está rolando no Shopping Cidade São Paulo, em São Paulo, e comemora os 30 anos da franquia.
Para quem procura momentos instagramáveis, é perfeito. Dá para tirar fotos com estátuas gigantes de Woody, Buzz e outros personagens, além de interagir com ativações. Mas, como eu sei que você não é (só) disso, há um outro olhar.
É que a exposição não só destaca a história da Pixar e a importância de Toy Story para o estúdio, como apresenta muito do processo criativo para a criação dos filmes. Antes da computação gráfica, houve muito papel e caneta. Depois, muita experimentação, inovação e o uso do computador não no piloto automático, mas como uma extensão das mãos.
A exposição fica aberta de terça a domingo, e os ingressos custam R$ 50 (R$ 25 a meia).
Leia também!
Agora que Toy Story 5 estreou, e com Copa do Mundo rolando, talvez seja um pouco menos tranquilo encontrar uma boa sessão para assistir à Dia D, mas aqui nesse texto escrevemos sobre os motivos pelos quais você deveria assistir ao filme nos cinemas. Tá aqui o texto!





